Rio Parada Funk – Cobertura Completa – Parte 1

Mc Marcinho

Mc Marcinho

Rolou neste domingo, no bairro da Lapa – Rio de Janeiro, a segunda edição do evento Rio Parada Funk. Dia em que a cultura do Baile Funk comemora todo o seu valor, com as equipes de som (características da cultura) e um palco com artistas e mc’s. Estavamos presentes no dia do evento, conversamos com diversos mc’s, dj’s, bondes e algumas celebridades, confira abaixo como foi o evento e confira com EXCLUSIVIDADE, o set do palco principal, o set de algumas equipes, o cd com as músicas da equipe do CHATUBÃO NUCLEAR e as Fotos do Rio Parada Funk II

O Rio Parada Funk, é um evento que mostra a cultura do baile funk fora das favelas, com as equipes de som. Contando um pouco  da história do Funk, as equipes apareceram na praça dos Arcos da Lapa bem cedo, com seus caminhões cheios de caixas de Som para montar sua estrutura, chamar seus dj’s e assim mostrar a trajetória do funk, começando pelo soul, caminhando pelo funk americano, chegando no miami bass, passando pelos anos 90 com os mc’s cantando em cima do voltmix e completando o ciclo, caem no tamborzinho de hoje, com seus aquecimentos e montagens ao vivo.

Mateus Aragão, 31, organizador do evento, diz que quer ‘tomar a cidade’ com o funk. A ideia dele ao criar o Rio Parada Funk era de “contar a história do funk pelas equipes de som, que começaram no soul e agora estão no batidão“. Também disse que esta animado para levar o Rio Parada Funk a outros estados e espalhar a cultura do funk pelo país de uma forma organizada, esta esperando apenas ser contato para que isso aconteça.

Dj Marlboro

Dj Marlboro

Encontramos também o DJ Marlboro, um dos principais dj’s e idealizadores do funk, que falou sobre o RPF: “é uma das opções que comprava que o funk é cultura e também para reconhecer o funk como cultura“. Ainda cita que: é importante divulgar que o funk é brasileiro e começa a ter reconhecimento do povo. No meio da conversa ainda falou um pouco do funk de São Paulo, quando questionando sobre uma possível vinda do RPF a São Paulo: O funk de São Paulo é muito grande, é muito mais que esta cena da Ostentação, pois daqui a pouco isso ira passar. Mas em SP tem muito mais material que ira se expandir pelo Brasil. Esse movimento de Ostentação é porque o funk fala do cotidiando, e é isso que os paulistas estão vivendo agora. E encerrou dizendo: acredito que ano que vem terá um Parada Funk SP, já estamos nos organizando.

Dando uma volta pela praça fomos conferir uma parte da cultura do funk que é as equipes de Som. Elas sobem o morro, com seu próprio material, para fazer os bailes e animar a galera. Nomes importantes como Big Mix, Cash Box, Chatubão Nuclear (do morro da Chatuba), Pipos, estavam presentes e conferimos as montagens. Somando a potência de todas as esquipes, tinhamos mais de 1.000.000 wats de som, sem contar com o palco principal.

Equipe Chatubão Nuclear

Equipe Chatubão Nuclear

Pode parecer um exagero, e a gente também não acreditou tanto na força dos paredões, até o show começar e a mais de 1 km de distância ouvir nitidamente o som e aquele pancada de graves no peito. A gente entendeu que eles não estavam de brincadeira, que a parada era bem séria.

E a festa começou. Depois de dois dias de muito calor no Rio de Janeiro, passando os 40 graus, o domingo amanheceu nublado, mas era o tempo perfeito para a parada. Aos poucos, as pessoas iam chegando. Primeiro alguns jovens mais animados, depois uma galera turista e por fim veio a massa funkeira. Dentre os grupos, familias de pais e filhos, acompanhavam as equipes que gostavam, cantando junto as músicas que faziam parte da história da equipe. A alegria era contagiante no rosto das pessoas que não se abalou com uma chuva rápida que veio para refrescar, como disseram os mc’s: A chuva não vai estragar a nossa festa, veio apenas para refrescar!

Rio Parada Funk 2012

E não estragou mesmo, pouco depois da chuva, a praça estava mais cheia do que antes. A cultura do baile funk se representava no dia do funk, no dia do Rio Parada Funk.

E essa cultura é muito maior do que a midia costuma retratar de forma negativa, apenas com mulheres mostrando a bunda ou com notícias negativas ligadas ao funk. A cultura envolve a diversão da dança, o mc que sobe no palco e agita a galera, o melody romântico do cantor apaixonado, os bondes que treinam durante dias e dias para estarem alinhados e em forma para dançar, o protesto para mostrar a realidade dura desse povo que se diverte com a sua própria música, e agora o governo tenta acabar.

Com as UPP’s, os bailes tem fechado mais cedo e a polícia fica em cima para não ter putaria ou apologia a qualquer tema. Essa forma covarde de acabar com uma cultura que eles não querem mostrar, só faz, de forma contrária, fortalece-la. No dia do funk, todos celebravam sua cultura e as equipes não se cansavam de repetir: Vamos mostrar para todos qual é o verdadeiro lado do funk, que o funk é cultura!, Galera vamos festejar o nosso dia, o Dia do Funk!, Gente, estamos aqui para celebrar, hoje é um dia de vitória pro funk! e era mesmo.

Mc Cidinho

Mc Cidinho

De forma organizada, as equipes ficaram lado a lado, cercando a praça, chegando até, de forma respeitosa mas com tom provocativo a dizer ” Vamos abaixar um pouco o nosso som, para não atrapalhar a equipe do lado” e assim cada equipe fazia o seu show, para o seu público até que as 18h começou o show no palco principal.

O Mc Leonardo, da dupla Junior e Leonardo, era o mestre de cerimônias da noite. Chamou ao palco grandes nomes do funk, tanto das antigas como da atualidade. Tivemos: Mc Marcinho, Mc Cidinho, Mc Dolores, GrandMaster Rafael, Mc Sabrina, Mc Smith, As Pretas, e muitos outros que você poderá conferir na parte 2 da cobertura. (Gravamos com exclusividade todo o show do palco principal e levaremos isso a vocês).

Um dos pontos para que a cultura não acabe, é a manisfestação do próprio povo, Mc Leonardo deixa de forma bem clara que: faltam incentivos no papel para que a cultura do funk cresça. Pedindo por leis políticas que incentivem a cultura do baile funk, para que não precisem do capital privado para manter um cultura de um povo.

A festa se encerra com muita alegria e com a contagem regressiva para o Rio Parada Funk – III, que os organizadores almejam que ocorra no sambódromo. Este foi o Rio Parada Funk 2012. Vamos continuar na torcida para que o funk consiga finalmente seu espaço na cultura brasileira e que ele seja reconhecido por um país e pelas leis, como cultura!

Confira a galeria de fotos aqui e se prepare para conferir a parte 2 da cobertura.

Mc Smith

Mc Smith

1 Comentário on Rio Parada Funk – Cobertura Completa – Parte 1

  1. Fernanda Oliveira // 9 de março de 2013 em 16:17 // Responder

    Boa tarde!
    Me chamo Fernanda Oliveira, sou jornalista e estou escrevendo um artigo sobre funk. Sou recém formada e minha monografia tbm foi sobre o funk. Estou entrando em contato primeiro para parabenizar pela cobertura do evento. Ficou muito legal! E tmb para saber se vcs poderiam me ajudar. Estou precisando de matérias atuais de jornais ou revista sobre o ritmo. Tanto positivas quanto negativas. Será que poderiam me ajudar?
    Desde já, agradeço pela atenção.
    Forte abraço e parabéns pelo blog!

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