Rio Parada Funk 2013 – Eu Fui

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Este ano rolou mais edição do Rio Parada Funk, e o nosso dj e agora entrevistador, Renato M2, foi até lá para conferir como rolou a terceira edição do maior festival de baile funk, feito por cariocas.

Era um domingo quente e nublado, o dia começou já com as equipes prontas, diferente dos outros ano, em que as equipes apareciam cedo para montar toda a sua aparelhagem. O dia parecia promissor, mas também ameaçava uma forte chuva, que aconteceu próximo ao fim do evento.

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Como em todo grande evento, não podia faltar as figuras cativas e conhecidas do cenário carioca, e o Dj Marlboro, o principal dj e quem ajudou a firmar o movimento no Rio, estava por lá. Junto dele, estava também o Mc Leonardo, outra forte figura do funk carioca. Seu discurso continua duro em relação as leis de cultura e incentivo, como disse: o funk continua criminalizado, já que na capital só ocorre os bailes nos morros, e a capital carioca ainda esta carente dessa cultura do funk. Leonardo explica: faltam leis de incentivo para o micro, e o funk não é micro, existe toda uma cadeira produtivamente econômica que gira quando tem um baile, que vai do bar, segurança, operador de som, transporte de equipamento, cachê, mc, dj, dançarino até restaurantes, comerciantes, ambulantes, salões de beleza, manicure, barbeiro…o funk é macro e precisa ser reconhecimento pelo seu potencial, faltam leis para apoiar o funk. Mas parece que esse ano, o RPF recebeu certo apoio. O evento tinha uma mega estrutura e estava no sambódromo.

Mc Leonardo

Assim, o RPF estava totalmente reformulado da sua antiga edição. Bares, banheiros químicos, Lanchonetes, Área de imprensa, banners, tudo mostrava que a cultura recebeu um certo apoio das autoridades. Se em outros anos, a produção do EU AMO BAILE FUNK, encabeçado por Mateus Aragão, brigava pelo seu espaço e respeito com uma equipe de 15-20 pessoas, este ano realizaram um ótimo evento e a equipe, somando seguranças, faxineiros, suporte, staff, passavam de 150 pessoas.

Marlboro, como o Mc Leonardo, disse que a cultura continua criminalizada, mesmo ela tendo se espalhado pelo Brasil inteiro com o Funk Ostentação (SP), ElectroFunk (PA), GangastaBrega(RE) e até em certos momentos com o pagode baiano (BA). O Dj é um visionário e sempre confiante quanto ao funk, fez uma comparação com o samba: assim como o samba, que começou criminalizado e depois conquistou seu espaço, o funk esta passando pelo mesmo processo de aceitação que o samba passou.

Dj Marlboro

Nesta edição do Rio Parada Funk, aprendemos muito com a cultura do funk. Um dos pontos que mais chamou a atenção é o modo como os cariocas recebem a diversidade de gêneros. Encontramos mais de um grupo de dançarinos gays, que eram recebidos com respeito e admiração pelo público. E mesmo quando fora dos palcos, outras pessoas também dançavam com o público e recebiam atenção, respeito e se divertiam da mesma maneira.
Se a classe média tenta ditar o que é certo ou não, o que é aceitável ou não, e como tenta diversas vezes, dizer o que é cultura ou não, o funk mostra que esta muito a frente de qualquer conceito, aceitando a diversidade na sua cultura.

O famoso passinho também teve espaço no evento, seja com os dançarinos no palco principal, seja com os diversos bondes que dançavam nas tendas. Percebemos que o passinho não é um produto criado de uns anos pra cá. Na tenda Arial, que imponentemente levou apenas 2 toca-discos e 1 mixer para a cabine de som e fez mais de 6 horas de set de funk só no vinil, o set que lembrava os clássicos do funk carioca e o que deu origem para ele, o público se divertia com passinhos iguais e sincronizados. As vezes, arriscavam até uma competição entre os dançarinos, sempre em clima de festa e respeito.

Palco Funk Mundial

Ficamos com nossos amigos do Apavoramento Sound System que levou a equipe Di Bico Sound e seus 3 carros de som. A tenda conversava com o breakbeat, o neo funk, o heavybaile e o funk carioca. Mas a chuva jogava contra. A todo momento que caia uma fina garoa, era necessário para o set e  cobrir os equipamentos de som para que não houvesse danos. Mas mesmo com a chuva contra, conseguimos gravar alguns sets, confira:

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No final da noite a festa teve um inimigo grande. Próximo as 18horas, momento em que as tendas encerariam as atividades para que o principal palco da festa começasse, a chuva começou. E ela começou forte e sem trégua. Grande parte do público, com dor no coração partiu, mas outra metade permaneceu e acompanhou o encerramento com chave de ouro. Mc Marcely, Tati Quebra Barraco, Mr. Catra, Lek Lek Lek, Fernanda Abreu, fizeram as honras e encerram com grande glamour mais um festival do RPF. Como estava escrito nas camisetas, no Rio a Parada é Funk!

foto por Allana Amorin

foto por Allana Amorin

Esse foi o Rio Parada Funk 2013. Cada ano que passo, o funk tem crescido mais, conquistado mais o seu espaço e recebendo o reconhecimento necessário para essa cultura incrível! Você pode conferir mais fotos do evento na nossa página do facebook.

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