Proibidão – O documentário

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=u8_L7JxbYKQ?list=PLW3yI2R-IJNKTCR03s6EqD-0hVAe-kMD6&w=560&h=315]

Houve uma época em que o funk proibidão roubou a atenção na mídia e ganhou espaço entre alguns funkeiros. O tema ‘proibidão’ nas letras de funk, como seu nome já diz, era proibido. A mídia, com muita força, deixou bem claro que essas músicas faziam apologia a drogas, apologia ao crime, enalteciam facções criminosas, pregava morte aos policiais entre outras barbáries. Em resumo, transmitiam a mensagem de que ninguém devia ouvir esse tipo de coisa. Houve até prisões de Mc’s que cantavam o proibidão – tudo isso, para deixar bem claro que quem cantava esse tipo de música era bandido e criminoso da pior espécie.

E é nesse cenário obscuro e perigoso, que surge uma luz . O Documentário Proibidão, retrata o outro lado dessa história. O lado dos funkeiros, o lado de quem vive a realidade da favela, de tiros, de conflitos com a polícia, de pessoas que encontra o caveirão, que encontra o medo, que tem parentes mortos, que tem problemas em vender a casa cheia de tiros, e todo um universo até então desconhecido.

Dirigido pelo Guilherme Arruda e pela Ludmila Curi, o vídeo mostra a história do Mc Smith, sua prisão e o conflito que existe nessa realidade da favela. Conversamos um pouco com a Ludmila para entender um pouco mais sobre o tema e o porque de retratar este assunto proibido.

Aproveitando para avisar aos amigos paulistas, que dia 2 de abril, haverá a exibição do títutlo no Odeon, e que em 2012 ganhou o prêmio de Visão Social no Festival Entretodos de São Paulo.

Funk na Caixa: Qual a ideia sobre o documentário Proibidão?

Ludmila Curi: A ideia era fazer um filme que mostrasse o alcance do funk dito proibido e também falar do universo que inspira suas letras.

FNC: E o que é esse funk proibido?

LC: É o funk proibido pelas grandes emissoras de Rádio e Tv. Proibido pelo mercado oficial. Mas na internet e no mercado informal, o funk que fala dos conflitos nas favelas encontra seu público. Filmar o Smith na Uruguaiana foi uma ideia de mostrar isso, o quanto ele era popular, apesar de muita gente da zona sul nunca ter ouvido falar dele.

Captura de tela 2014-03-23 às 21.37.02Mc Smith. Foto cedida pela diretora

FNC: Existe uma linha tênue entre a questão da apologia ao crime, e o que acontece na favela, retratado pelos Mc’s. Como você vê essa questão?

LC: Segundo o Mc Smith, ele não faz apologia ao tráfico, ele relata o que acontece na comunidade e não há dúvida de que o conteúdo das letras tem um pano de fundo documental. São músicas que fazem sucesso também por isso, porque falam de uma realidade. Uma realidade compartilhada por muitos, de uma realidade de guerra urbana, em que o policial é historicamente inimigo do favelado.

FNC: Como esta a situação do Mc Smith atualmente?

LC: O Mc Smith acabou de fazer um filme Alemão de ficção. Ele está bombando! rs

FNC: Você citou o filme Alemão, parece que de um tempo pra cá, a mídia começou a aceitar o funk e inseriu ele em seus meios. A aceitação do funk pela mídia é um sinal de que o proibidão possa acabar? Ou que a situação dos funkeiros na favela, seja melhor aceita e não ocorra tanta repressão e associação ao crime, como houve durante tanto tempo?

LC: Acho que o proibidão não vai acabar. Acho que a aceitação do funk pela mídia é uma visão de mercado, de público. O grande público interessado em funk, consumindo funk , ou seja, são consumidores, é isso que quer a mídia. A grande mídia, né?

FNC: Como é fazer um documentário sobre um assunto ‘proibido’? Rolou alguma repercussão negativa?

LC: Não, pelo contrário, acho que as pessoas tem muita curiosidade pelo proibido.

Captura de tela 2014-03-23 às 21.37.16Mc Smith. Foto cedida pela Diretora

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