Conhecendo mais do dj e produtor Cuco

capa dj cuco site

Vindo da Baixada Santista, o dj e produtor Cuco tem levado a vida com seu estúdio. Não só isso, sempre que sobra um tempo no estudio ele também arrisca algumas músicas e produções próprias, como a Se beber não cause, que acaba de ganhar um videoclipe do produtor. Com uma música aqui e acolá, ele esta terminando o seu próprio álbum, que mescla rap e funk da baixada.

Chamamos o produtor pra bater um papo e conhecer mais da baixada e como rola a cena musical por lá. Confira:

  • Pra gente começar a entrevista, me conta, quem é o Cuco, você é dj? você é produtor? você é mc?

Bom mano, em essência sou MC, pois foi como comecei e é uma coisa que não me imagino viver sem fazer, só fico imaginando que tipo de conteúdo eu vou escrever quando tiver com 50 anos ou mais (risos). Produtor musical é a profissão que paga minhas contas, mas eu só comecei com isso pra produzir minhas próprias músicas. Devido ao nível do trampo uns amigos começaram a me procurar e depois a trazer outros amigos e em outubro vão se completar 14 anos que vivo só de produção. O “DJ” eu tenho mais como um apelido carinhoso que o pessoal do Funk colocou, por que eles chamam de DJ quem produz. Eu fiz dois cursos de DJ, um deles mais recentemente pelo SENAC, mas respeito muito o ofício dos DJ’s pra dizer que sou DJ mesmo. Só adotei como nome artístico por que acabei ficando mais conhecido por DJ Cuco do que como Cuco o rapper. Inclusive, teve uma vez que o Kondzilla disse que tinha gente que conhecia o rapper Cuco do Voz de Assalto e o produtor de Funk DJ Cuco, mas não sabiam que era a mesma pessoa. Agora resolvi acabar com isso e assinar sempre DJ Cuco, seja produzindo ou fazendo meus raps.

  • Como é a dinâmica de ter um estúdio? Com a facilidade de se ter produtos de qualidade a um custo acessível e também programas bons para produzir em casa, os artistas ainda procuram por um profissional?

Alguns sim, por que eu não fui à falência (risos). O que acontece nesse caso é o seguinte, alguns caras tem conhecimento musical, mas não sabem mexer nos programas. Outros fuçam nos programas mas sem conhecimento musical. E o que falta pra 90% desses caras é conhecimento em técnicas de gravação e mixagem, quer dizer experiência, por que conhecimento esta aí em videoaulas no youtube. Eu acho que o cara tem que meter as caras mesmo, mas também tem que medir o custo benefício. A situação ideal pro cara que não pode pagar um produtor é fazer os próprios beats e rascunhar a gravação em casa, mas entrar em estúdio pra fazer a gravação à vera, por que vai fazer toda diferença no produto final. Outro ponto é o seguinte, se você está começando a fazer suas produções provavelmente vai ficar aquém do trabalho de outros produtores mais experientes, e aí pode ser que seu som fique “pra traz” e a concorrência é ferrenha. Então se você puder investir 500 reais numa música, me liga que é certo de ficar um som foda e competitivo com o que “seus parça” tão ouvindo (risos)

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  • O funk em Sp começou pela baixada, você acompanhou esse movimento? Como ele surgiu e como esta agora?

Sim acompanhei bem de perto. De 96 pra 97 quando eu comecei a cantar Rap, o Funk já dominava as quebradas aqui da Baixada Santista. E em 2000 pra 2001 comecei a trampar com produção de Funk, então desde essa época tenho envolvimento. O Funk da Baixada Santista tinha certa semelhança com as letras de Rap, mas sempre de forma mais direta e menos poética. E o trunfo do funk sempre foi a batida né mano? As minas rebolavam e os cara tiravam mó onda enquanto a letra falava dos amigos que se foram, ou das dificuldades enfrentadas no dia a dia. Tinha os de letra banal também, mas o que era feito aqui na Baixada, a maioria era ideia da hora.

Hoje mudou as letras, mas a força do movimento continua a mesma, quer dizer, até aumentou. Antes tinha um baile por semana com 15 ou 20 mc’s e só 3 ou 4 era do Rio de Janeiro. Era um movimento forte e local. Hoje tem mais bailes, inclusive durante a semana, mas o espaço pra “novos talentos” diminuiu. A internet se encarrega de fazer a curadoria e principalmente nos bailes de meio de semana é só um artista por baile.

  • Atualmente, qual é o principal som da baixada?

Boa pergunta cara! (risos) Mas acho que é o Funk. Todo fim de semana tem uns 3 bailes na região pra mais de 3 mil pessoas. No Rap só o Racionais traz esse público pra uma casa. O Emicida tá toda hora na Globo, mas colocaram ingresso dele aqui a 60 conto e não vendeu, cancelaram o show. O Rap cresceu muito aqui, inclusive, Santos está entre as cidades que mais buscam termos relacionados a rap nacional no Google. Mas é um circuito mais seleto. Geral ouve Funk, mas só alguns manos que são “do Rap”. A geração que tem cerca de 20 anos e tá no Rap também ouviu muito Funk na adolescência, simplesmente por que todo mundo ouvia e até comentam que os funk da antiga eram mais da hora. Essa molecada que curtia o funk mais pelas letras vieram pro Rap, mas são minoria.

  • Dentre os mc’s e produtores da baixada, quem mais tem se destacado?

Dos produtores, no Funk é o DJ Nino, que produziu alguns sucessos como “Como é bom ser vida loka” do MC Rodolfinho e algumas do MC Lon (duas delas em parceria comigo – “Procura da Cura” e “Brasileiro Que Nunca Desiste”). Já no Rap eu destaco o Blood Beats que tem trampado com o Mano Brown, Thaide e Haikaiss e também tem o Scott Beats que ja fez produções pro Ogi, Gutierrez e mais uma galera daqui.

Dos MC’s de funk tem vários ne? MC Bola, Neguinho do Kaxeta, MC Lon, Léo da Baixada, Boy do Charmes e por aí vai, o movimento continua forte! Já no rap tem muita gente boa mesmo cara, mas que ta tendo uma visibilidade maior é o Freeside que teve inclusive num programa da Globo lá e tá conseguindo juntar um público bacana nas casas que eles passam.

  • E o público do funk, continua apenas  nas periferias?

Sim! Mas não somente lá. Inclusive o que eu falei de geral curtir Funk e sempre ter só um ou dois manos que são “do Rap” foi um exemplo que ouvi de um amigo meu que é professor de matemática de uma escola particular. As casas noturnas mais caras também se renderam ao funk, mas poucas levam shows. Mas acho que TODAS estão tocando Funk de alguma forma, acho que não tem como fugir.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=imknPcXMCxM&w=560&h=315]

  • Conta um pouco sobre o seu novo videoclipe e seus trabalhos musicais.

Há algumas semanas, lancei esse videoclipe “Se Beber, Não Cause!” que é um som do meu álbum “7 Dias Para o Fim do Mundo”. Como o nome sugere o clipe tem uma mensagem tipo : “Vamo beber, mas não vamo se matar né rapa??”. A história do “diga não as drogas” já ficou piegas, e eu odeio pieguice. Todo mundo tem o seu direito ao veneno anti-monotonia como diria Cazuza, mas qualquer tipo de excesso faz mal. Com esse clipe eu fecharei em breve o ciclo de trabalho desse álbum e muito em breve já estarei lançando músicas do “No Final É Nóis de Novo”, meu próximo álbum. Já tá 80% concluído e apesar de ser um disco de Rap tem música pronta com participações de peso do Funk como MC Bola, MC Léo da Baixada e MC Garden. Ainda esse ano lanço clipe de uma delas.

  • Um pouco antes da rasterinha, você mandou pra gente algumas produções de ragga. Os Mc’s da baixada costumam produzir ragga?

Pois é! Aqui os MC’s chamam o que eu te mandei de “Rasteiro”, que nada mais é que uma linha melódica cantada no estilo do Funk mas com BPM abaixo de 100. Antigamente os “Rasteiros” tinham marcação de batida de Rap mesmo, tipo essa do Danilo & Fabinho – Pelo Amor de Jorge e essa aqui que eu produzi Totto & Kbeca – Cigarro de Marley. Depois algum DJ sampleou só a batida sem arranjo da Thoia Thoig do R Kelly e isso se tornou o “padrão” ou o “tambor guia” pros “Rasteiros”. As paradas que eu te mandei já são dessa época pós sample da Thoia Thoing. Eu nunca achei que alguem fosse chamar isso de Ragga (risos). Mas vira e mexe algum MC produz um desses sim, Rasteiro ou Ragga, como queira. Inclusive comecei ontem uma produção desse estilo aí, de um MC de Goiás, quando terminar te mando.

  • E como você vê o movimento da rasterinha?

Acho que tá tentando ganhar força pra se tornar um movimento, não está estabelecido ainda. E outra, enquanto movimento, está acontecendo numa camada muito hype e relacionada a música eletrônica, não é Funk. A música do MC Romântico ta estourada sim, toca nos bailes e nos carros, mas é a única que vi ganhar projeção dentro do circuito do Funk. Mas acho que assim como o Funk, a Rasteirinha tem tudo a ver com o Brasil, musicalmente falando. Muito balanço e percussão até umas horas. Como essa do MC Romântico ta estralada e no Funk sempre repetem fórmulas que dão certo, provavelmente vai se solidificar com o tempo.

  • Você tem alguma produção que é sucesso nas pistas, mas que você ficou camuflado? Como acontece com o Dj Rd da NH que é criador do sucesso da Marcelly – bigode grosso e do Quero Bunda mas ninguém sabe.

Pode crer, mas isso é meio complicado no Brasil, é questão de cultura mesmo. Lá fora os produtores assinam como compositores da obra, aqui não tem essa visão da importância do produtor no resultado final, mas eu espero que mude (risos). Enfim tem muita coisa minha que bateu na rua e nos bailes sim mano, os exemplos mais recente são “A homenagem Ao Daleste” feita pelo MC Léo da Baixada e do MC Lon a “Brasileiro Que Nunca Desiste” que eu fiz os arranjos e o DJ Nino fez o BEAT, mas como ele finalizou e mandou pro pessoal do Lon, acabaram colocando só o nome dele nos créditos do video. Tem um Rasteiro do Neguinho do Kaxeta chamado “A Idéia” que ele mesmo disse que foi a música que puxou o cd que ele lançou na época. Felipe Boladão que é considerado tipo um Mano Brown do Funk, eu produzi uma das músicas mais conhecidas dele “A Viagem” que é uma homenagem pra 5 jovens que morreram num acidente de carro numa viagem ao litoral norte. Danilo & Fabinho eu produzi muita coisa, várias que estralaram aqui na Baixada e em Belo Horizonte. Teve do Pato & San, que depois ficou Bone & San, que eu fiz “A quadrilha em ação” e mais algumas também. Vich eu ja fiz trampo pra c…. hahahaha

  • O que podemos esperar do produtor Cuco para 2014?

Do produtor vem uma coletânea com algumas faixas exclusivas incluindo Boy do Charmes, MC Leo da Baixada, uma participação do MC Lon com Pekeno do Saboó, uma do MC Bola participando comigo  num Rap, tem do MC Garden também e mais uma galera aí. Essa coletânea vai ser feita pra divulgar ainda mais o meu estúdio, o Estúdio Bom Bando e vai se chamar “Bom Bando Funk Vol.1”. Vou inclusive distribuir cópias físicas aqui na Baixada e aí na capital, além é claro de divulgar pela internet via Soundcloud e Youtube.

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2 Comments on Conhecendo mais do dj e produtor Cuco

  1. Ola boa noite estou aki hoje querendo realizar um sonho que e ser mc tenho16 anos quero uma oportunidade tenho2 musica de funk que fala sobre ostentacao por favo entre em cotato comigo meu zap 97442212

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