Conheça o Funk na Caixa.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=7REiWcaeQeU&w=560&h=315]

(esse é um texto-relato)

O projeto do Funk na Caixa surgiu em 2010 por um ímpeto que tive em me destacar no cenário musical paulistano. Na época, eu tinha meus 21 anos e queria me tornar Dj. Depois de acompanhar de perto diversas festas e produtores, percebi que poucos deles trabalhavam com o funk. Nessa mesma época o maximal era o som do momento e produtores estrangeiros usavam vocais brasileiros do funk nas produções, o que na minha percepção era perfeito. Tive a ideia de que o funk poderia ser promovido como a música eletrônica brasileira e então abri o blog Funk na Caixa com o intuito de impulsionar minha carreira como dj, o dj Renato M2, e também mostrar esse cenário do funk.

 

Com o blog, eu gravava podcats quinzenais mostrando meus achados musicais e minha técnica como Dj. Comecei a entrevistar os artistas do cenário de electrofunk – em 2010 não imaginava que o som ficaria rotulado como neo baile funk – um pouco para conhecer mais deles e também para entender desse som que se perdeu depois do “boom” que o funk teve em 2005 com a Mad Decent e a Man Recordings. Aos poucos, reparei que não havia um blog que focasse nesse tipo de som, aliás, poucos blogs davam atenção ao funk: seja pelas vertentes, como o maximal, seja do funk carioca de raiz. Com isso, o blog começou a receber diversos e-mails de novos produtores e novos artistas que buscavam seu espaço, queriam ser noticiados, queriam mostrar o que faziam. Em menos de seis meses, comecei a ficar conhecido como o cara do Funk na Caixa, ao invés do Renato M2. Foi ai que decidi cair de cabeça na coisa e gerenciar com mais dedicação esse lance de blog.

Em pouco tempo, o blog acabou ajudando na produção e no lançamento das músicas do Sapabonde. O pensamento era: como só o Funk na Caixa fala de Neo funk, é mais fácil deixar os lançamentos aqui. E como numa história de internet, tudo foi na base da confiança. Um e-mail daqui pra elas, um delas pra mim. Um meu para amigos. Dos amigos para outros amigos. Um e-mail meu para um estrangeiro. Esse estrangeiro para outros amigos estrangeiros. Em um mês surgiu o primeiro EP do Funk na Caixa, introduzindo e lançando as músicas do SapaBonde. Legal! O Blog que era pra promover minha carreira acabou virando um portal de neo baile funk. Agora ao invés de correr atrás do lançamento, eu que distribuía os lançamentos. Mudei de posição ao promover o som, ao invés de correr atrás das novidades

Do primeiro EP veio um segundo. Em seguida surgiu o single do Truculência Crew. Depois um projeto paralelo chamado FunClassic. Em seguida alguns EP’s mostrando o tal neo baile funk – agora o termo já estava estabelecido. Nessa caminhada toda, tive a chance de participar da gravação do documentário Funk Ostentação, aqui de SP. Vivi por mais de 2 anos a realidade do funk paulistano, frequentei algumas comunidades, conheci diversos Mc’s e produtores. Eu via nos olhos deles o sonho de ser artista de funk e assim melhorar de vida. Percebi que junto deles, eu trabalhava com o mesmo produto, cada qual com o seu público. E eu não tomava o que era deles, pelo contrário, junto deles fazíamos algo grande. Algo maior, algo benéfico para a cultura do Funk.

teste.funk.nacaixa. copyPrimeiro logo do Funk na Caixa

Seguindo a cronologia, recebi um convite inusitado de curadoria de um álbum estrangeiro, só com produções de Neo Baile Funk. Trabalhei durante um ano junto de um amigo estrangeiro e lançamos o Funk Globo pela Mr.Bongo.

Com 4 anos de blog, eu tinha lançado mais de 50 músicas, um álbum estrangeiro, eu tinha dirigido um videoclipe, produzido outros dois e a coisa começava a aumentar. O blog começou aos poucos virar o meu “trabalho”. E aí que surgiu a rasterinha.

Em 2013 fui cobrir o Rio Parada Funk, me divertir no evento e continuar com o trabalho de promover a cultura do baile funk na internet. Descobri uma música e por um post jogado acabei recebendo o convite pra escrever uma matéria sobre esse novo som. O que culminou num movimento relativamente grande: mais 2 lançamentos surgiram, o nome rasterinha apareceu em matérias de jornais, na internet, na TV e o blog continuava a crescer. Depois de lançar o EP da rasterinha o Funk na Caixa ganhou olhares de fora.

O fim de 2014 começava a se aproximar, junto do término da minha faculdade de Comunicação Social. Resolvi juntar o conhecimento do que estava fazendo há anos no blog e me dediquei a uma monografia sobre a cultura musical do funk. Sob orientação, estudei a tese dos Meios a Mediação de Jesús Martín-Barbero e o cara era fera, em 1987 previu como funcionava a relação comunicacional das culturas periféricas da América Latina e demonstrou por um estudo que: o consumo musical que esse povo fazia era totalmente diferente da Teoria de Massa (esquema proposto pelo emissor e receptor. Um cria as tendências e o outro consome). O espanhol explicava que os grupos das margens (ao invés de usar o termo periférico) criava um sistema diferente de comunicação entre si, e isso gerou um consumo diferente, principalmente na comunidade carioca do baile funk.

E o resultado desse estudo é que leva o Funk na Caixa a um novo molde.
Percebi que o público do funk consome a música de uma maneira diferente do habitual. Assim, queremos nos aproximar do nosso público que consome as músicas que lançamos, produzimos e promovemos. Queremos idealizar uma festa em São Paulo para promover o neo baile. Seja a festa num formato pocket com parceira de uma festa maior, seja numa casa média com dançarinas, seja em edições semestrais. O importante é fechar o ciclo que idealizamos: Falar sobre a música no blog > lançar as músicas > promover a música> ir numa festa. Para assim, voltar a ler sobre a música > músicas > Set > Festa > informação > e por ai vai.

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O Manto sagrado  A Camiseta do Funk na Caixa

Outra conclusão que tive é documentar o que o blog esta fazendo. Colocamos todos os 26 podcast’s no youtube, para que exista uma alternativa de consumo do material que produzimos. Também vamos criar uma parte ‘acadêmica‘ no blog, para juntar os trabalhos de mestrado e monografia (como o meu) para facilitar o encontro dessa informação – essa foi uma das dificuldades na monografia, achar matérias que falassem do funk. Durante algumas semanas, vamos postar os ‘achados’ dessa pesquisa pra monografia e com isso, disseminar a história do funk. Assim, caso você tenha alguma informação a acrescentar envie pra gente que iremos documentar. O Funk na Caixa tem como missão mostrar a evolução do baile funk, pelas suas novas vertentes.

Assim, o blog entra em uma nova fase. Caso você queria ajudar, colocamos as camisetas do blog a venda no site d’A Lojinha. Você também pode ajudar com uma doação no nosso bandcamp. A sua ajuda não precisa ser apenas monetária, e-mails com novidades e dicas são bem vindos. Muito do blog foi feito por conversa e dicas de amigos. Para nos contatar, envie um e-mail para: funknacaixa@gmail.com.

Funk na caixa, a evolução do baile funk.

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