BH Dance Festival, por Guilherme Niches

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Texto escrito por Guilherme Niches, do trio pelotense Pesadão Tropical

No dia 02/05/15, a Pesadão Tropical foi convidada para participar da quarta edição do BH Dance Festival em Belo Horizonte- MG, dessa vez com apoio da Festa Push, a principal do cenário de música alternativa mineira. O evento aconteceu no Mirante Olhos D’Agua e trouxe atrações internacionais como o americano Steve Aoki, os canadenses do DVBSS e o português Kura. Aproveitei meu tempo livre no festival para dar uma volta e fiz um relato sobre a experiência. Confira:

Inevitavelmente os primeiros aspectos que observei em relação ao festival foi a boa organização e logística, desde os momentos “pré-evento” até à chegada no local. Primeiro ponto negativo foi que na entrada rolou um problema: não havia um local próprio para a passagem só da produção, sendo assim, os carros e vans dividiam o mesmo espaço com a galera que chegava a pé e ia curtir o evento, o que causava aquela confusão de gente e carro passando juntos.

Já dentro do evento, a estrutura do palco principal impressionava. O palco era grande e revestido com painéis de luz e imagem. E logo atrás do palco principal se encontrava o segundo palco, o da Push, onde nos apresentaríamos. O mais legal desse lance foi que o segundo palco era menor só em tamanho, mas a qualidade ficou pau a pau com o principal. Me surpreendeu o fato dos dois palcos estarem de costas um para o outro, praticamente colados, e mesmo assim o som de um palco não interferia no outro, ponto mais que positivo!

Eu cheguei no evento cedo e perto das 15:00, no palco principal rolava um som de aquecimento para as atrações principais, já no palco Push já estava a milhão com o som do mineiro Jahnu. O grave comia solto, a pista contava com todos os presentes no rolê e a galera no clima do palco, ou melhor, da festa Push.

bh dance 2Marginal Men – foto: reprodução facebook

Neste meio tempo os caras do Marginal Men já se preparavam pra entrar em campo e mantiveram a levada de grave no talo com a perícia que eles só eles tem. Eles tocaram até às 17:00, horário em que a galera mineira começou a mostrar as caras. O Sexistalk veio em seguida – uma das duplas mineiras responsáveis pela Festa Push – e fez uma mistura de EDM com Trap, um set bem fluído e construído metodicamente, mantendo a galera animada do início ao fim ( posso dizer que eles fizeram o dever de casa). Depois ficou com o Vitor Sobrinho, outro DJ mineiro, a tarefa de manter a pista aquecida, missão esta a qual ele se saiu muito bem. Na sequência Xeréu manteve o mesmo pique. A galera que chegou cedo para ver o Aoki, não arredou o pé e também não parou de dançar, mostrando que BH está muito bem representada no quesito artistas da Bass Music.

Enquanto isso, o palco principal seguia na levada do DeepHouse e Future House de qualidade (sim, isso é possível), deixando o festival com aquela cara de Sunset até o anoitecer.

Como isso se trata do meu parecer e não sou grande apreciador de Deep House/EDM vou deixar minha opinião: Sem querer desmerecer ninguém, pois todos DJ’s mandaram muito, o grande destaque do palco principal, pra mim, foi a vista do pôr do sol, que ainda iria nos surpreender mais ainda à noite! Realmente, o local para a realização do evento não poderia ser melhor, anota mais um ponto mais que positivo pros organizadores!

Já com as estrelas no céu, o frio chegou (sim, um gaúcho que sentiu frio em Minas), mas de maneira alguma isso amedrontou os mineiros que estavam por ali.

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Sugar Crush – foto: reprodução facebook

Alguns contra-tempos como o atraso da galera da Cone Crew fez a produção alterar os horários, e os brothers do Sugar Crush entraram mais cedo que o previsto no palco Push, que chegou com tudo num set rasgado de “Favela terror”.

Na sequência a rapa da Cone Crew entrou em cena com seu RAP, fazendo a galera do palco Push cantar juntos. Dirtyloud que tocaria em seguida acabou por ser transferido para o palco principal, o que na minha opinião fez muito mais sentindo já que o som dele é mais pegada electro/complextro/EDM do que Bass Music em si.

Felguk e Dirtyloud (nomes já firmados no Brasil) conseguiram deixar a pista principal no ponto certo para entrada do Steve Aoki – HeadLiner da noite e muito aguardado pelo público.

bh dance 4Steve Aoki no início da apresentação – foto: reprodução facebook

O Aoki é um “showman” total, e faz isso com uma maestria invejável. Musicalmente o set deixou a desejar tendo em vista que rolou vários clichês anos 2010, por ex: Edits/Remixes de tracks clássicas como “We Will Rock You” do Queen. Mas, todavia, entretanto, porém, como era de se esperar, o cara deu o show ao qual ele já é acostumado a dar e era o que o público aguardava: bolo na cara, bote inflável no mar de gente, aquele lance que a gente já cansou de ver nas fotos. Detalhe: esse foi um set que não me prendeu por muito tempo, pois à nossa apresentação era no mesmo horário.

Assim, nosso set estava dividindo horário com o Aoki e tivemos alguns problemas técnicos para iniciar, o que resultou em um atraso de alguns minutos, consequentemente em uma pista mais vazia (creio eu que ficou quem realmente queria assistir nossa apresentação, somado aos poucos que não devia curtir o som do Steve Aoki). Ao longo do nosso set conseguimos arrecadar mais pessoas de volta ao palco Push.

A surpresa da noite ficou por conta do duo Canadense DVBSS que apesar da minha relutância com Big Room os caras conseguiram construir um set de maneira não massante, com breaks interessantes ao invés de ir encaixando um Drop atrás do outro. Além disso, eles já sabem de algumas artimanhas de festivais: como interagir com público pedindo pra galera agachar e pular no drop (Major Lazer mandou abraços). Por fim a apresentação dos caras foi bem interessante no ponto de vista de alguém que não tem mais pique pra Big Room e afins, já pra quem é apaixonado por EDM e esse tipo de som essa foi uma apresentação extasiante.

Se colocado na balança acredito que o festival teve muito mais a somar. Principalmente por se tratar de um festival focado em EDM que abriu espaço para um palco alternativo com muitas atrações brasileiras. Na minha opinião, essa mistura de estilos foi o destaque, resultando assim em uma repercussão positiva como um todo.

Pra finalizar, criei este parecer levando em conta muito do meu gosto pessoal como pode ser notado na leitura, o que de forma alguma invalida experiências diferentes da minha. Acabei passando boa parte do evento entre o backstage e trâmite de palcos, e acabei tirando minhas observações a partir disto. Mas, por ser meu primeiro festival como artista quis deixar um relato desse momento.

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