“Eu vou fazer uma parada que vai mudar tudo”, a história do MC R1 até o funk.

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MC R1 na NitroNigth

Texto escrito por: Victória Khatounian

“Pra mim, DJ é uma das melhores profissões do mundo, pena que no funk ela é banalizada”. Essa foi uma das primeiras frases que o MC R1 me falou quando fui entrevistá-lo. O MC, que também é produtor e compositor, já lançou “Joga o BumBum” com o parceiro MC Maromba e o sucesso das academias “Treme a Bunda”. Quando contei que estava fazendo um curso de DJ, ele respondeu que estava “até meio injuriado”, nas palavras dele, com esse meio. Depois de mais de 2 horas de conversa, fui entender o porquê – e vi que ele tem bons motivos pra isso.

Rodrigo Santos tem 29 anos e começou (acredite) cantando pagodão baiano, aos 15, aqui em São Paulo. Por influência da família, que é de Pernambuco, ele sempre ouviu axé e pagodão. Pra completar, seu irmão trabalhava como motorista de artistas e acabou dando um empurrãozinho para que Rodrigo entrasse na área, primeiro como roadie da “Banda Manerada” e depois como cantor. Uma coisa levou a outra e de repente ele estava sendo chamado para montar bandas de axé e fazer trabalhos como vocalista freelancer. Só aos 24 anos Rodrigo entrou para o funk, quando adotou o nome de MC R1.

Nesse meio tempo, Rodrigo ainda cantou em bandas de pagode e forró, fez faculdade de Logística e teve dois trabalhos simultâneos. Tudo isso fez com que R1 entrasse no funk com o pé atrás. Para quem estava acostumado a trabalhar duro e cantar em uma banda de 12 músicos, que estudavam, ensaiavam por horas e faziam shows longos, era quase uma ofensa ver um músico cantar por 20 minutos em cima de uma batida já gravada e receber por isso. Além de tudo, ele sempre gostou de estilos mais melódicos e se incomodava com o ritmo truncado do funk.

“Quando o pessoal fala que o funk é sem cultura, não é falando da letra. Porque tem rock que fala muito palavrão, black… Eles tão falando musicalmente”. Rodrigo tinha em mente, em 2010, que o que faltava para o funk era melodia. Tanto que o funk melody (como Copo de Vinho do Mc Robinho de Prata) era a única vertente do gênero que ele escutava até então, a ponto de gravar fitas cassete do programa “Funk da Trans” apresentado pelo DJ LH na rádio Transcontinental. Foi aí que decidiu: “Eu vou fazer uma parada que vai mudar tudo”.

Rodrigo comprou uma passagem parcelada para o Rio de Janeiro e foi conhecer o “estúdio” do MC Roba Cena, em Duque de Caxias: “Eu achava que produção musical era num estúdio, com uma puta mesa e o caramba. Aí chegou um moleque de 12 anos, sentou na frente do computador, abriu o ACID, soltou um quadradinho de uma base recortada de algum lugar, o outro ligou o microfone em uma placa de som e gravou. Jogou três plug-ins, equalizou a voz, brincou 10 minutos ali e pronto. Eu falei ‘Cê tá tirando. Se esse moleque faz funk, eu vou fazer também.’”

E fez. R1 começou a estudar produção e gravar funks, desde proibidão e ostentação a pop – todos sempre com a melodia reforçada . “Eu virava a noite procurando pontinho no Youtube e separando samplers. Depois, comecei a ouvir as músicas e tentar tirar. Eu acho muito fácil copiar e colar e não gosto do que é fácil”. Num de seus exercícios, tentando reproduzir o comecinho de “Hit The Road Jack”, de Ray Charles, saiu a “Então Rebola”. Até uma versão de “Tudo Nosso e Nada Deles”, do baiano Igor Kannario, ele já gravou.

É essa mistura de influências e o cuidado na sua produção que diferencia R1 de outros MCs. Tanto que a maior parte de seu público não é funkeiro. Inclusive, quem gosta só de tamborzão tende a estranhar suas músicas. Mas por ele, tudo bem. Agora, sua mais nova aposta é o funketon: “É a salvação do funk. O reggaeton tem uma melodia forte que varia bastante, mas sempre na mesma batida. Já a maioria dos funks não tem melodia, apesar de ter bases diferentes. O funketon é o melhor dos dois”.

O próprio R1 lançou, no começo de 2015, a música “Baila Menina”, que segue essa linha. Para a felicidade do MC, o DJ Perera também embarcou na onda e lançou, um pouco depois, o single “Água na Boca” com a MC Tati Zaqui. Parece que o funk está mesmo se tornando mais melódico e usando referências do reggaeton, como previu (e quis) R1. “Eu fico muito contente de ver isso porque eu sempre incentivei esse movimento”. Agora, ele espera estourar com a música “Treme Bunda” e vencer, na raça, a panelinha e a lógica de “faz sucesso quem paga mais” que permeia esse universo. Estamos na torcida.

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2 Comments on “Eu vou fazer uma parada que vai mudar tudo”, a história do MC R1 até o funk.

  1. meu mano , com fe em deus voce vai chega onde voce quer . torço por voce mc r1 . tmj sempre meno . By Rato Roots

  2. A humildade é a alma do negócio e isso transborda em vc… Sucesso sucesso e saúde apenas isso o resto vc é completamente capaz de continuar conquistando #soufã

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