Mc Garden e o Funk Consciente

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São nos momentos de crise que aparecem as soluções para os problemas, enquanto o Mc Pedrinho foi proibido de fazer bailes por causa do conteúdo obsceno das suas letras, surge Mc Garden mostrando uma vertente paulista que canta um funk conscientes sem aquela forçação de barra.

Lucas Rocha da Silva, de 21 anos, é natural da Vila Campestre e criado no Americanópolis, Zona Sul de São Paulo – região que o rap sempre foi mais forte. O MC começou a cantar na escola, transformando os ‘proibidões’ da época numa versão consciente, reutilizando as melodias das músicas. Depois de terminar o colégio, começou a compor e lançar suas próprias letras tendo a “Pai Nosso” (180mil views no YouYube) como a primeira música de mais sucesso, mas, o que empurrou o MC a fazer mais shows e acreditar no seu trabalho foi a “Isso é Brasil” que já ultrapassou a barreira dos 3.5 milhões de views no Youtube.

No meio de tantos artistas paulistanos cantando o ostentação e a putaria, o MC consegue se destacar no cenário paulista com suas letras de cunho consciente. Sem tentar forçar a barra, as letras falam de relatos da vida do MC e mostram o ‘lado certo’ das coisas, dizendo ainda que seguir o papo dos outros nem sempre da certo. Esse lance consciente surgiu na sua infância quando saia com seus pais para ajudar o próximo de forma voluntária “Eu sempre gostei de funk e desde pequeno eu acompanhava meus pais num trabalho na ONG chamada “Grupo de Auxílio ao Próximo”. Eles cadastravam famílias carentes e distribuiriam alimentos, e eu lá com meus 8 anos já acompanhava isso. Acho que isso contribuiu para que eu viesse pra essa vertente do Funk” conta o MC.

Lucas admira muito os caras das antigas que faziam funks de relatos como Mc Cidinho e Doca, Bob Run e Mc Marcinho. Da galera paulista, o MC cita o falecido Felipe Boladão e destaca a “Voracidade“como a sua favorita.

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Mesmo que seu trabalho corra por fora das tendências do funk, ele não vê que os problemas que o movimento da putaria enfrenta seja o motivo para ele crescer “Não, tem espaço pra todos. Eu acredito que o meu público tem um senso crítico maior, mas o pessoal da putaria também tem o espaço deles, muito maior aliás.”

Sem repudiar a putaria, ele diz só que não gosta. Na sua mais recente música ” Enconstei no Baile Funk” o relato é de um fluxo, e ele aproveita pra criticar o uso de drogas, lembra dos pais e mostra que as atitudes nesses rolês são consequências de outros problemas. “Será que é isso que os pais ensinaram? Será que o pai é um pai presente? Ou será que é a cinta que fala em vez da conversa pra entrar na mente?”. Na entrevista o MC completa “Não é uma música que eu escuto. Ou gostaria que se eu tivesse um filho, ele escutasse”.

A conversa fluiu bem com o MC que se mostrou bem sensato. Sobre a putaria, ele encerra o papo com a seguinte pergunta: “Qual é o tipo de mundo que você quer pro seu filho? e qual o tipo de filho que você esta dando pro mundo?” mostrando que a família tem que estar junto dos filhos, que a música influência sim o jovem, mas a família não pode largar seu filho mundo e esperar que tudo corra bem.

Sua música consciente atraiu outros produtores que tem esse pensamento. A produção “Tô Suave“, produzida pelo Leo Justi e o Dj Comrade tem cara de pista e não deixa o conteúdo pra trás. “Eu curto! Pô, eles inovaram na batida, sensacional. E a minha música com eles tem conteúdo”

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Garden não é dó tipo de MC que tem só uma música boa no currículo, também não é artista de funk que solta uma música por semana rezando pra virar hit. Suas letras são trabalhadas, suas produções são pensadas e seus lançamentos planejados. Lucas também esta atento as tendências musicais, produziu com Leo Justi e Comrade, com o Carlos Nunez e a ultima saiu com o DJ Nino, produtores pesos-pesados do Funk.

Pode-se dizer que 80% das suas músicas tem videoclipe, sua atividade nas redes sociais são frequentes e nada repetitivas. O MC até lançou uma campanha com mensagens de incentivo ao funk consciente.

Se o funk é movido a tendências, o consciente pode voltar. Influenciando e desejando o bem do próximo, esse movimento não é novo e resgata outra tradição do funk: a de relato.

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1 Comentário on Mc Garden e o Funk Consciente

  1. MC Garden, eu dou meus parabéns pelo seu trabalho e interesse em seguir, o maior e mais original estilo de funk raiz da favela, que eu também tento levar em frente e mostrar que o funk consciente (protesto), não apologia ao crime nem outros gêneros de funk, que no ramo o caminho é literalmente mais curto, para alcançar
    fama e shows em casas que valorizam tal estilo
    de conteúdo passageiro.
    Creio que tudo que vem fácil, vai fácil
    tantos brilham com uma música e dentro de três à seis meses, somem e nada mais.

    E nosso caminho é longo e difícil com dificuldades
    por falta de “cultura” e visão de produtores e empresários, que se apoiam no funk por dinheiro não
    Pelo talento e pela origem do desse estilo que dentre tantas maldades e caminhos errados conseguimos mostrar um pouco do que ainda resta
    de bom, dentro e fora da favela, com críticas e elogios a quem ouve, e a nós mesmos que compõe.

    E sei que vamos ganhar subir ao pódio conquistar
    o Brasil e o Mundo, não desistir buscando sempre
    o melhor nas letras e composições com carinho.

    “Por que, quem busca encontra o que quer achar”
    MC Vity R

    Forte abraço!!

    Valter J Marques

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