A linguagem estética do Heavy Baile

vira a cara 1

O Leo Justi lançou o videoclipe “Vira a Cara”, dirigido por Leandro HBL. A ideia é mostrar definitivamente qual é a linguagem estética que o produtor, junto do diretor, criou para movimento do Heavy Baile.

A dupla “Leandro e Leonardo” do Funk é formada pelo Leo Justi – produtor, carioca e idealizador do Heavy Baile, com o cineasta Leandro HBL – mineiro, formado em cinema e que dirigiu o Favela on Blast, principal documentário pra você entender o movimento do Baile Funk e suas variações.

A missão que a dupla tem (ou teve) foi de definir a estética visual do trabalho do Leo Justi, que vem soltando remixes e produções desde 2010 sob o nome de Heavy Baile. E definir uma estética é f*da. Em tese, o vídeo complementa o trabalho do artista. Entenda que a dupla não são tipicamente da favela, assim, pra definir essa cara era preciso, ao mesmo tempo, mostrar de onde veio o som que inspira o produtor e inserir o estilo do Heavy Baile.

E a escolha do Leo, encontrando o Leandro, foi um tiro certeiro. O mineiro estudou por mais de 3 anos o movimento do baile funk para o seu documentário. Ele também é um cineasta que não se influencia por tendências, como a linguagem estética que rolou nos videoclipes no movimento do Funk Ostentação. O diretor tem a sua própria linguagem e aplica isso no trabalho que será feito, seja ele um clipe infantil, de indie-rock, publicitário ou de funk. O importante é colocar sua visão no vídeo, somando com a música.

Depois de alguns encontros, a coisa surgiu. Há uma trilogia de três videoclipes que a dupla vai lançar. Começou com o “HVL BL NSS PRR” com o Jacaré dos Patins, agora saiu o “Vira a Cara” na Vila Mimosa e um terceiro que ainda não temos informações. Ambos os videoclipes retratam a beleza da mulher negra e do negro, sem usar loiras siliconadas como tipo perfeito de mulher. Eles também exploram a sensualidade que existe no movimento do funk carioca, deixando de lado o formato de colocar uma bunda com um fio dental na frente da tela. A dança é um outro fator onipresentes nos dois vídeos. Leo Justi se inspira muito no movimento dos anos 90 do Baile Funk – o ponto ‘Vira a Cara’ vem dessa época, e nesses vídeos conseguimos perceber as características de origem do funk carioca. De uma forma atualizada, claro.

Bati um papo com o diretor Leandro HBL pra entender essa estética e logo em seguida vem o videoclipe, confira:

vira a cara 2Leo Justi tirou uma onda nas gravações

Como foi a produção do videoclipe Vira a Cara?

Bom, a partir do [videoclipe do] HVY BL, pensamos em evoluir essa linguagem. Eu sempre quis fazer um negócio na Vila Mimosa. Fui lá, mó role pra produzir o negócio, mas a gente conseguiu. Ai eu levei uma equipe de produção “profissa”. Peguei um elenco de umas meninas que trabalham lá, misturei com umas meninas que eu levei, uma galera de baile funk, com uma galera lá da Vila Mimosa e botei umas pessoas meio nada a vê – que eu acabei cortando no final. Mas, foi um desafio fazer sabe, o Leo estava criando o conceito do Heavy Baile…. como festa e tal, e ai da festa virou uma batida, que é o Heavy Baile. Ele remixou muitos pontos da tradição do baile funk. Como a “Vira a Cara” que já tem uns 10 anos, mas….e ai eu perguntei pra ele ‘Qual é a cara disso?’ e a partir do “Jacaré dos Patins” a gente teve uma ideia do que fazer.

Bom, ai a gente começou a construir a ideia do clipe, que tinha que ter uma conexão estética com o [ clipe do] Jacaré. Chamei a galera d’Os Deslocados – que é uma equipe de passinho do Rio – pra serem os principais do filme. Beleza. Tava lá na Vila Mimosa e vamos filmar.

vira a cara 3Bastidores da gravação do videoclipe Vira a Cara

Certo, e qual é a ideia estética do Heavy Baile?

Qual que era a ideia?… assim, eu não tô diretamente ligado com nenhum movimento. Eu faço clipe de funk; como também faço clipe infantil; qualquer coisa. A minha busca é uma busca estética como diretor. Uma busca narrativa. Então, nunca me comprometeria. Principalmente com o que eu acho que é o videoclipe: um produto artístico do diretor sobre outro produto artístico que é a música. Então essa foi a minha visão sobre o som que o Leo faz.

E qual foi essa visão?

Bom…eu escolhi o figurino que fosse condizente com o rolê. Eu gosto de ter uma coisa documental junto: o cara da banca do churrasquinho é o cara que é o dono do churrasquinho – de repente coloquei uma camiseta nele. O cenário é muito importante, então, eu coloquei umas luzes em pontos estratégicos pra ele aparecer mais. Eu gravei na frente de três puteiros e tal…então, no fim eu já tinha um retrato daquilo que eu queria. Tanto de figurino como de atuação, como do próprio lugar, e de uma coisa que é uma estética brasileira que ainda não foi tão explorada, que é o “pós Cidade de Deus”, “pós Tropa de Elite”, que é um negócio que eu não sei exatamente o que é, mas tem no clipe do Jacaré e no clipe do “Vira a Cara”. Entendeu?!.


E ai entendeu? Confira o videoclipe pra você ver se você entendeu mesmo.

 

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  1. “Vira a Cara” é o novo EP do Leo Justi. | Funk na Caixa

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