O movimento LGBT no Funk.

 

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Semana passada o Facebook liberou um filtro que permitia você acrescentar à sua foto de perfil as cores da bandeira do movimento LGBT. Essa ação foi na mesma semana em que o casamento gay foi aprovado nos EUA. Como o assunto é muito polêmico, tanto lá como por aqui, resolvi dedicar esse espaço para essa comunidade que o Funk na Caixa sempre apoiou (se você não sabe, trabalhos com o Sapabonde nos idos de 2010 lançando o EP Sapabonde volume 1 e volume 2, quase 20 músicas). Perguntei a um Mc Trans, um bonde lésbico e um bonde gay, “Como é ser um artista gay na cena funk?“. Confira as respostas.

 

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MC XUXU

Como é ser uma MC trans no movimento/cena de funk?

Olá, meu nome é Karol Vieira, mas as pessoas me conhecem como Mc Xuxú. Meu corpo, minhas letras e o microfone são minhas armas de defesa para poder trilhar o meu caminho e conquistar o meu espaço. Ser travesti no funk é saber que vou ouvir comentários machistas e transfóbicos por onde eu passar. Mas, eu sei que eu posso tudo, inclusive responder a altura [a esses comentários]. Sempre fui muito bem recebida pelo público, confesso que minha visibilidade ajudou conquistar o respeito das pessoas. Não sou a primeira trans funkeira, mas venho do rap, onde na minha opinião foi tudo mais difícil. Hoje faço do funk minha revolução.

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SAPABONDE

Como é ser um grupo lésbico no movimento/cena de funk?

Olá, nós somos o Sapabonde, um grupo de funk de Brasília. Como somos todas mulheres lésbicas, nossos shows são voltados para o público alternativo e GLS, o que evita uma série de problemas quanto a homens heterossexuais achando que, pelo fato de estarmos na mídia, o nosso corpo e a nossa música são para ele consumir.

Desde que começamos com o bonde em 2010, nunca tivemos nenhum problema dentro do movimento do funk. Sempre fomos muito bem aceitas na verdade. Tomamos cuidado para não propagar a misoginia dos machos no funk, e também tentamos desconstruir a copia do padrão “HT” que gera a necessidade de separar a “ativa” da “passiva”, sendo a passiva inferiorizada porque teria o papel “feminino” na relação e por isso mais vulnerável.

Achamos que o funk pode ter um fator corporal super libertador, que é de experimentar o ritmo e a sensualidade. Enquanto a vida toda a gente é educada pra fechar a perna, no funk reina a liberdade da pélvis.

 

 

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BONDE DAS GAYRAVILHAS

Como é ser gay no movimento/cena de funk?

Quando nós começamos o Bonde das Gayravilhas, éramos o primeiro grupo gay no funk. Tínhamos muito medo do preconceito, mas pra nossa surpresa, tivemos uma resposta muito satisfatória do público. Éramos novidade junto com Bonde das Maravilhas – bonde pelo qual éramos fãs na época e nos inspiramos nele. Tivemos muita sorte no início de carreira, fomos apadrinhado pelo David Brasil, o que nos deu muita força pra gente continuar. Em seguida começamos a viajar e conhecer outros estados, ver que estamos levando a nossa bandeira GLS pra outros lugares. Claro que havia preconceitos, mas por outro lado, o nível de aceitações era maior aqui no Rio de Janeiro. A maioria do nosso público era feminino, de todas as idades. E ficávamos feliz de saber que novos grupos gays estavam começando ser criados e levantando a nossa bandeira. Problemas todos os artistas desse meio enfrentam, mas, conseguimos superar e o nosso maior sonho foi ter sido chegar num programa de grande audiência, que foi o ESQUENTA, e ser assistido por todo o Brasil.

BÔNUS:

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DANÇARINA LACRAIA

Relembrar é viver, e lembrar da dançarina Lacraia é deixar viva a memória desta dançarina que se destacou nesse cenário e mostrou que era possível sim, ser uma travesti no movimento do baile funk.

2 Comments on O movimento LGBT no Funk.

  1. Adorei a reportagem, mas gostaria de lembrar que quando nos referimos a mulheres trans devemos chamá-las pelo pronome feminino também. Logo, a Mc Xuxu é umA Mc Trans e a Lacraia foi umA dançarina.

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