O “Coringa” de diversidade que o produtor Viní tem na manga.

escute o novo ep do produtor VINI

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Resenha por Guilherme Niches

Nesta semana eu tive a oportunidade de ouvir o novo trabalho do produtor paulistano Viní, lançado pelo selo alemão Man Recordings do curador Daniel Haaksman. O EP intitulado de “Coringa” é constituído de 4 músicas que levam consigo grande parte da essência do trabalho do Viní até então.

Dividido em duas músicas na faixa dos 130BPM e duas por volta dos 100BPM o EP inteiro traz a forte característica do Viní em mesclar o funk com diversas vertentes. Diferentemente da grande maioria, que ao invés de usar o contexto do funk apenas encaixam um “sample”.  Neste lançamento, Viní buscou criar do zero suas interpretações das batidas do tamborzão, rasteirinha e afins.

O EP passeia por diversas influências bem recentes no baile funk, como a rasterinha. Na “Bandida Arlequina” – produção esta já lançada, anteriormente, sob a alcunha apenas de “Bandida” – a música transita na levada do twerk e moombahton. A mesma influência é vista em “Vai”, e me agrada bastante o modo da composição dos elementos percussivos criados do zero, diferenciando-se do modelo clássico de sample de rasteirinha.

Já na região dos 130BPM notei na “Agente do Caos” (apesar da intro meio complexa musicalmente falando) fortes traços do “ToMorroLand” (Salvê DJ Sydney, Salvê Carlos Nunez) que se dá pela mistura do funk com o EDM atual e que tem ganhado bastante força dentro do cenário nacional. Particularmente, me agradou bastante o uso das horns nesta música. Em contrapartida, a terceira música carrega o peso do trap e mais uma vez as horns entram em ação, o que resulta exatamente no nome do EP: Coringa. Em um único EP o Viní foi capaz de mostrar o coringa de diversidade que tem na manga.

O EP todo ficou bem fluído mas não o considero um lançamento 100% pista, pelo fato dos toques experimentais usados (creio eu que propositalmente e conscientemente). Pelo menos não a nível nacional, já em pistas mundo afora, que estão mais adaptadas à linha de trabalho da Man Recordings, talvez se encaixe melhor. Sem ter uma música com vocais o Ep ficou com cara de EP de Riddins. “Coringa” também mostra o amadurecimento do produtor que vem acertando mais nas produções e serve de bom exemplo do trabalho do Viní e da Man Recordings em desenvolver e divulgar o “Tropical Bass”. Esse lance que já vem sendo desenvolvido há um bom tempo pelo Viní, desde o finado projeto “Blanka Krew” (†RIP).

Por fim, para quem tá afim de buscar uma inspiração na área, conhecer um som novo e fora do padrão e atualizar o setlist para o fim de semana, esse EP tá um prato cheio. Download disponível nas melhores lojas digitais.
Nota: ⅗ ★★★☆☆

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