A Lotação Records te lembra: Funk também tem conteúdo.

 

O recém lançado álbum “BateBola & Funk” da gravadora carioca Lotação Records, nos lembra o poder da música. Mesmo que a característica principal do funk seja ser dançante, com uma letra chiclete, não significa que não há espaço para outras abordagens. Principalmente a do protesto.

Vale lembrar que quando falamos do funk, estamos falando da música que representa a juventude periférica. Assim como a MPB que representava o som do Brasil e dos protestos populares. Hoje, a música periférica tem esse papel, mesmo que sem o título de música popular.

E como normalmente a música reflete o cotidiano, é de se esperar que apareça músicas de relatos. Ainda mais quando o país passa por um período de crise política, escândalos e outros problemas que nos afetam. Tanto que o álbum surgiu com a música “Protesto do Aécio” referente aquela situação do helicóptero. Disso pro álbum surgir foi um estalo de dedos.

E sem querer se aproveitar de novos gêneros ou tendências, o álbum é quase um álbum de rap (no início dos anos 90, surgiram várias músicas nesse formato, como: ‘rap do trabalhador’,’rap das armas’ etc..). Batida seca com vocais de protesto, mas com a levada e a malícia do funk.

Falei com o Matheus Cogli um dos responsáveis pelo selo. Eles acabaram de liberar o download do álbum de graça, ou seja faça o download POR AQUI e aproveite a entrevista:

BÔNUS: A faixa de número 10 é o batida do Votlmix. Seguindo o que era feito no passado, onde nos discos de vinil havia uma faixa só com a batida da música, a Lotação Records quer ouvir você! Grave uma música e envie para o email deles, quem sabe você não vira o próximo artista da gravadora?

– O baile funk tem uma característica de ser dançante. Já neste lançamento há uma voz de protesto. Como vocês veem essa dualidade?

Achamos que ter uma conotação de protesto não necessariamente anula a característica dançante. Sendo que esse lance de protesto nem é uma regra, veio naturalmente do Beiblade e nem todas as músicas são assim. Achamos que o funk desde o início sempre teve espaço pra todo tipo de letra, desde zoação, romantismo até protesto, justamente uma das características que faz do funk um ritmo tão democrático.

– As músicas poderiam ser chamadas de ‘rap’s? Assim como surgiu o rap do trabalhador, o rap da felicidade, todos cobrando atitudes para a comunidade?
Achamos que poderiam se chamar assim também, mas a gente não tá querendo refazer o passado. A gente gosta muito e respeita o passado do funk, e a gente bebe muito dessa fonte. A influencia é nítida, por exemplo o volt mix, que é um loop animal de bateria eletrônica que moldou o funk no passado. Ninguém mais usa, e mesmo assim, aos nossos ouvidos continua não só atual como futurista também. É a forma como a gente reconhece pelo menos.
– Além do Mc Beibleide, qual outro MC de Funk canta músicas de protesto que vocês podem indicar?
Ultimamente mano, só conheço o Mano Teko e o Mc Leonardo (da dupla Junior e Leonardo).

– Esse lançamento trouxe lembranças dos anos 90, tanto pelas letras e quanto pelas batidas. A Lotação Records pretende manter esse estilo de lançamento ? Há abertura para novas produções e novos formatos de funk?
A gente pretende manter o estilo e evoluir dentro dele, assim como em outros estilos de música eletrônica. A “Equipe a Morte” que tem um som como bônus track no disco do MC Beiblade é um artista do selo também, em breve vamos lançar um EP deles.
Além disso, nosso selo tem espaço pra qualquer tipo de influência que a gente encare como positiva: desde MC’s, letras e produções musicais.
Sem preconceitos irmão.
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