#04 Mc Gringo

 

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Data da entrevista: 09/09/2010

O Mc Gringo é um figura bem cativante com seu sotaque, além de ser uma figura bem completa em termos musicais. Conversamos com ele pra saber um pouco mais sobre essa sua carreira Meio Alemã meio Brasileira.

Conte-nos sobre sua carreira antes de chegar no Rio de Janeiro.

Toquei sempre em bandas. A primeira, que fez successo local foi com Basti Schwarz (hoje uma parte da dupla Tiefschwarz, conhecido no Housemusic), toquei guitarra e cantei e Basti tocava bateria – foi Funpunk. A final das contas a banda foi a tentativa de esquecer a perca da minha mae e do meu pai, que morreram durante dois anos de surpresa.Com 18 anos eu acalmei um pouco e formei a Ska-band “The Lodgers” (http://www.myspace.com/thelodgersska).

Eu não estudei depois da escola e comecei de aprender a profisão ‘negociante industrial, numa empresa. Lá eu tinha um telefone pra trabalhar para a banda.  Apesar que eu ser o mais jovem da banda, eu arrumei shows, estudio e o primeiro contrato para um disco (The Lodgers – Rude Records). A banda cresceu legal e a gente gastou todas nossas férias do trabalho pra fazer shows fora da cidade e do país (Suécia, Austria, Suiça). Em 1992   eu terminei a profisão de ‘negociante industrial’ e comecei uma segunda profisão, que foi de jornalista. Diferente do Brasil, podemos aprender essa profisão não só na faculdade, mas também numa empresa, praticando. Eu trabalhei na rádio ‘Stadtradio-Powerstation’, um canal só com Dancemusic e na televisão SAT-1. Foram contatos legais pra arrumar mais shows e discos para a banda.

Em 1995 eu sai da banda, por que fui para Grécia pra trabalhar de Animateur para turistas. Depois uma temporada eu voltei pra Alemanha e sem a banda eu estava meio depressivo e tomei (como muitos Alemães nessa epoca) balinhas e pirei na música eletronica. Eu reencontrei o meu amigo Marco Zaffarano, um famoso Techno-DJ e ele me ofereceu de fazer MC nos shows dele. Então eu trabalhava durante a semana na gravadora Intercord na parte Alternation Records (Prodigy, Depeche Mode, Moby) e no fds eu viajava com Marco para U.K. e Republica Tcheca pra fazer shows.

Em 1998 eu ganhei um casting para um projeto, e então fiz shows com esse projeto até 2000. Ao lado de todos os projetos, eu sempre gostei Reggae e participei sempre dos shows do ‘Luckypunchsoundsystem’. Em 2000 eu encontrei 4 paulistas e um Mineiro extremamente malucos, que moram até hoje na Alemanha. Com eles eu comecei a tocar uma mixtura entre Reggae & Pagode. Eu me senti bem  melhor com o violão nas mãos e os amigos na percusão, do que  no meio dos caras do Techno.

Em 2002 a gente abriu o show do Funk´n´Lata no Zapata Stuttgat (Grande boate demúsica Latina), foi durante a Copa do Mundo. Quando eu ouvi Funk´n´Lata, eu falei: Esse é o meu ritmo. Perguntei as pessoas, o que é que isso e eles falavam, é Funk. Depois a Copa eles fizeram mais um show no Zapata e o evento foi a grande comemoração da Copa do Mundo dos Brasileiros.

Por causa do fato, que eu tinha muitos amigos do Brasil nessa época e da euforia depois a Copa eu gostaria conhecer o Brasil urgente. Então chegou o convite do nosso percusionista Jens, que foi em Minas Gerais. Ele estava em Divinópolis de férias e me chamou. Então eu fui lá e a minha vida mudou. Gostei muito do Brasil e voltei pra Alemanha só pra trabalhar quatro meses pra juntar um dinheiro pra me sustentar tres meses no Brasil. Os tres meses se toranaram agora já são quase oito anos.

MC Gringo & MC Nem – Focky Me Baby ( Bumps Horny Funk Mix) :

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Chegando ao Rio, como foi o seu primeiro contato com o Baile Funk?

O primeiro contato foram as caixas de som do Bunker. Eu morei na Julia de Castilho 35 no segundo andar em cima da boate Bunker e o som deixou tremer o xão da nossa casa – então isso foi o primeiro contato.. A primeira pessoa, que me apresentou pessoas do ramo do Funk e me levou para Bailes na Favela foi o meu amigo fiél, o grande MC Binho da Rocinha (ele fez também uma participação  no meu disco Gringão e temos um disco com remixes dos Stereo MC´s  da nossa música 1 Real)

Ao longo da sua carreira como MC, quais as maiores dificuldades que passou por ser do funk.

Eu sou mais músico e gostaria de fazer mais shows com violão, percusão e voz. Infelizmente na maioria dos Bailes não tem equipamento pra fazer isso e os divulgadores também no Rio também não dão muito valor para esse segmento. O MC Leozinho merece todo respeito, por que ele consegiu alguma coisa muito legal. No Funk a maioria dos MC´s tem dificuldade, que gostam letra grande e contéudo consciente. Successo fazem caras, que cantam no palco, em montagem ao vivo ou pior, eles cantam playback, uma coisa ridicula. A minha música ‘Focky Focky’ ironizou esse tipo de Funk, mas a maioria das pessoas nem percebeu, que se tratou de uma ironia …

A minha música nova com Schlachthof Bronx & MC Nem ‘Focky me baby‘ é uma tentativa de fazer uma putaria bem light e com uma letra, que é mais que só um refrão. A divulgação do Funk é uma dificuldade por si.

Há muita diferença no modo como os brasileiros tratam a música em relação aos alemãos?

Sim. A música Brasileira é superior  em relação a qualquer outra música desse mundo. Tem tantos, mas mesmo, tantos artistas de alta qualidade (tanto faz, se seja vivos ou mortos) no Brasil, que pra mim foi realmente um choque, quando eu cheguei no Brasil. Muita informação mesmo. Os meus favoritos são Cartola, Bebeto & Benito di Paula.

Uma diferença dos compositores e produtores é, que na Alemanha todos os artistas registram as músicas deles.

Como andam suas produções?

Tudos esta ótimo. Tá bom, eu trabalho num emprego fixo e tenho filhos, então é meio dificil com o tempo. Eu percebi, que trabalhando nos damos ainda mais valor para os momentos, que nos temos para fazer música.

Eu estou orgulhoso de ser uma pessoa chave entre os mundos do Funk Nacional e do Funk Internacional.

Eu recebo diariamente ligações de pessoas, que querem trabalhar comigo. São pessoas do mercado nacional e internacional. Depois eu começei de trabalhar não consegui mais de fazer tantos shows e as ligações dos Amigos MC´s, DJ´s me emocionou.

Há muita colaboração de outros gringos?

Com certeza. Eu escolho as minhas colobarações sempre muito bem. Para a música ‘Focky me baby’ com MC Nem eu escolhi produtores de primeira qualidade. Existem remixes do Schlachthof Bronx (München), Uproot Andy (New York), Copia Doubleflex (Kopenhagen), The Bumps (London), Amazing Clay (Curtisom Rio) e Bloodshake (São Paulo).

A versão do Schlachthof Bronx vai estar como um destaque no disco numero 50 do gravadora manrecordings. No meu projeto Funkumbia, que vai ser lancado numa cooperação do Xão-Productions New York com Global Ghetto Recordings London eu juntei varias estrelas do novo Cumbia movimento juntos comigo e MC´s mulheres.

Os produtores do projeto são Frikstailers, El Remolon, Chancha, Copia Doubleflex, Uproot Andy.

Como o publico te recebeu por você ser estrangeiro?

Sempre bom.

Você já se apresentou como Mc fora do Rio? Se sim, conte-nos a experiencia.

Eu fiz um turne em 2007 (E.U.A.) e tres turnes em 2008 (duas vezes Europa e uma vez Argentina). Na minha opinião o movimento Baile Funk não se manifestou 100% ainda. O Funk tem que se juntar com outros segmentos, na minha opinião com Cumbia, Ska, Reggae e música eletronica.

Qual foi sua melhor apresentação?

A minha melhor apresentação no Jô Soares. Eu sou admirador do Jô e ficar sentado em frente dele numa conversa bem animada foi uma grande honra pra mim. Eu sabia, que com a música escolhido no Jô Soares “Alemão” (produtores = Amazing Clay & eu) eu escolhi uma música dificil de divulgar. Mas eu gosto a letra dela e a reação da platéia me emocionou muito, idém o elogio do Jô.

O que o Mc Gringo tem para esse segundo semestre de 2010?

‘Focky me baby’ é a última música de putaria light pra mim e vai ser divulgado violento no segundo semestre 2010. Depois eu vou no futuro trabalhar mais com o movimento ‘Apafunk’ dos meus amigos ‘Junior & Leonardo’. Eu não quero me divulgar. Eu quero divulgar um bom Funk, quero criar um bom Funk, quero analisar e produzir com os melhores artistas nacional e internacional.

Qual o produtor que mais te chama atenção atualmente

Schlachthof Bronx (München/Alemanha), DJ Leo (Rio de Janeiro), DJ Comrade (Xão Productions N.Y.), The Bumps (London) e The Frikstailers (Cordoba/Argentina)

Qual o seu top 5 de baile funk?

Quer deixar alguma mensagem pro pessoal?

Não se entregue a monocultura e ao tédio dos tribos. Tudo o que você gosta, o que funciona legal nos teus ouvidos,  é bom pra você.

Focky me Baby – Mc Gringo feat Mc Nem (Mixed by uproot andy NY)

MC gringo + MC nem – fock me baby by bloodshake

SOOKIE (BUMPS SOOKIE SOCA MIX)

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