#21 Mc Maromba

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Matéria originalmente publicada em 09/05/2014 pela Noisey.

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Outro dia eu estava olhando minha timeline do Facebook, esperando que alguma coisa acontecesse para animar a noite. Eis que me deparo com o novo videoclipe do MC Maromba, o “Aquecimento do Papapa”. Decidi assistir e reparei que em uma das cenas ele estava na esquina da minha casa, dando um tapa na bunda de um travesti. Não tenho certeza se o travesti é local ou não, mas com certeza era a esquina de casa.

Me emocionei com a coincidência e já mandei uma mensagem para o Maromba via Facebook mesmo, sem ter que procurar por telefone, falar com agente ou empresário (obrigado, internet). E não é que ele realmente estava bem perto da minha quebrada? Então sem demora chamei ele para uma breja ali no Bar do Peixe – ponto conhecido da vila –  afinal, não é todo dia que um MC de funk está tão próximo assim de mim, especialmente um funkeiro do Rio de Janeiro.

Acabei descobrindo que o MC Maromba, personagem produzido pelo Adolfo França, carioca e estudante de cinema, era um trabalho que vem sendo feito há mais de cinco anos. Longe de ser um piada com o funk, o MC Maromba é um personagem muito bem estruturado, com um planejamento de lançamentos, composição, melodia e até videoclipes – que num primeiro momento achei que era uma bela piada de mal gosto, mas que hoje me divirto com.

Acabei encontrando o Maromba no Bar do Peixe na outra semana. O convite era para uma cerveja, mas ele disse que estava de ressaca e preferiu almoçar. Já comecei a desconfiar dele, mas depois de algumas piadas percebi que ele era realmente o Maromba.

A ideia desse personagem é quase um resgate da cultura do baile funk, que dos anos 90 até hoje passou por diversas fases e a essência da cultura tem se perdido um pouco. O resgate que o MC faz é buscar a brincadeira e a sacanagem, sem ofender ninguém, utilizando aquela a dualidade nas letras.

Maromba é um MC machista de 1,60 de altura, que não se parece nada com um autêntico marombeiro(aqueles que comem batata doce e frango a vida inteira) e tenta convencer as mulheres a ficarem com ele pela sua beleza. Por outro lado, Adolfo França é um cara que sabe o que faz e evita as brincadeiras de assédio a mulher, como no videoclipe do “Aquecimento do Papapa”. No clipe ele dá um tapa na bunda das mulheres – uma delas no metrô – mas em nenhum momento ele quer dar a entender que apoia algum tipo de assédio à mulher. Ele mesmo explica: “isso é apenas uma brincadeira de criança, algo que todos já fizeram. E longe de mim querer assediar uma mulher no metrô, alguém que esta indo para o trabalho. Esse não é o local para esse tipo de coisa e você não tem a permissão dela para isso. Eu não gostaria de ser encoxado indo para o trabalho e não vou fazer isso com outra pessoa.”

Com alguns sucessos já na ponta da língua do público como “Quem é o seu Homem“, “Beija Sarra“e “Joga o BumBum“, Maromba começa a se acostumar com o assédio das fãs e com o reconhecimento do seu personagem nas ruas. Em uma hora de conversa no almoço, Maromba foi reconhecido duas vezes por garotos do bairro, que até tiraram foto com ele. E no trajeto até o bar ele foi reconhecido mais uma vez, e logo veio o grito da rua ” Salve Maromba”. Eu me senti ao lado de uma verdadeira celebridade do funk, mas que nenhum dos meus colegas da faculdade sequer ouviram falar.

Sua história musical começou cedo, com seus pais o levando para estudar música. Ele queria mesmo era aprender bateria, mas não rolou. Depois, ele começou a cantar com seus amigos e criou o Bonde do Puro Suco – o apelido Maromba veio em seguida. Após sair da escola ele ia para a academia com seus 13 anos e sempre que passava na frente de um bar, o pessoal gritava “Adolfo, Maromba”. Desde então o apelido ficou.

Do Bonde do Puro Suco para a sua equipe de dançarinos foi um pulo. Após subir no palco pela primeira vez, sentiu que era aquilo que queria fazer. Percebeu que quando se trabalha em grupo nem todos se destacavam, então pensou em seguir carreira solo, o que aconteceu naturalmente depois de menos de um ano do rompimento do Bonde.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=z0dRfvQo9Vo]

Seus videoclipes são todos dirigidos e roteirizados por ele mesmo, e ele faz questão de que a linguagem seja um complemento do seu personagem. Se a pessoa não entendeu a mensagem direta da música, o videoclipe esta ali para ressaltar quem é o Maromba e como é o seu trabalho.

Nessa construção de personagem, suas principais referências são:  Raimundos, principalmente com o álbum Só no Forevis, Mamonas Assasinas, Genival Lacerda, Caju e Castanha, MC Serginho, MC Colibirie depois que começou a carreira Gorila e Preto. Todos esses artistas tem em comum uma certa malícia nas letras e o duplo sentido. Elas não chegam a expor a putaria, eles deixam ela implícita e cabe a você entender e rir, ou apenas se distrair com a música. Reflexo do trabalho do Maromba.

Assim, querendo ampliar seus horizontes, Maromba lança aqui no THUMP com apoio do Funk na Caixa, a música “My Name Is not Johnny” no melhor estilo da rasterinha. A letra em inglês é um recado para o turista que vem visitar o Brasil na Copa, e a música mescla diversos elementos brasileiros, começando pelo funk e pegando de tabela elementos do samba como a cuíca e fechando o bonde com a referência principal da música, o filme Meu Nome Não É Johnny. O videoclipe da faixa sai na próxima sexta (16), junto com o segundo EP de rasterinha do Funk na Caixa. Enquanto isso, você pode ir curtindo a música que já esta disponível para download.

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