#22 Dj Perera

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 TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO SITE THUMP EM 25/05/2015

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Estudar ou entrar de vez para o funk? Com essa dúvida fui com o meu Fiat Prêmio 1993 até a Vila Maria, Zona Norte de São Paulo, ao encontro de Lucas Pereira da Silva.

– Aquele carro na porta é seu?
– A Hilux?
– Isso, a gente podia tirar uma foto sua na frente da Hilux branca? Vai ficar legal pra abrir a matéria.
– Mas a branca é a do Livinho, pode ser na frente da preta que é a minha?

Foi isso o que me disse Lucas, o produtor de 22 anos que se tornou conhecido como DJ Perera, o principal responsável pelo movimento paulista de funk putaria. O monstro das produções, como é conhecido nas quebradas, nasceu e se criou na Vila Maria e começou produzindo numa lan-house com os colegas da sala de aula. Hoje, o cara que transformou a antiga lavanderia da sua mãe em estúdio, assina hit atrás de hit como “Parará Ti Bum” da MC Tati Zaqui, “Mulher Kamasutra” do MC Livinho e “Planeta Putaria” do MC Pedrinho.

Em menos de dois anos, a vida do DJ Perera mudou. A guinada teve início com “Dom Dom Dom”, música do MC Pedrinho que Perera produziu. O sucesso do som – que tem mais de 29 milhões de visualizações no YouTube – se deve ao talento de Perera em produzir funk com instrumentos musicais, ao invés de apenas repetir um sample como melodia.

O produtor conta que sua formação musical começou na igreja. Fugindo do modelo de sucesso do funk, que costuma mandar um tamborzão recortado e colado durante uma música inteira, no seu estúdio Perera chama os MCs pra cantar e realça a melodia acrescentando instrumentos musicais como o cavaco, piano e flauta. Depois disso, o funk começou a ganhar uma sonoridade diferente, com arranjos mais elaborados dando aquele talento no gênero, que agora soa “como uma música mesmo”, diz o DJ.

Para você entender, Perera começou produzindo o som de amigos numa lan-house onde trabalhava, na época em que ainda estava no colégio. O jovem abria mais cedo o local, colocava os MC’s pra dentro e ia aprendendo a produzir, ao mesmo tempo que fazia um dinheiro cobrando modestos R$30 por produção. Aos poucos, o DJ foi apurando sua técnica e começou a procurar, ele mesmo, novos MC’s – foi assim que achou nomes como Pedrinho. Depois disso, o negócio degringolou. Perera tirou a mãe do emprego, passou a sustentar a casa e seus dois irmãos – que também saíram de seus respectivos trabalho. Seu próximo passo, conta ele, é abrir uma produtora de vídeos pra juntar gravação de audio e vídeo em um só lugar.

Troquei um ideião com Perera em sua casa que estava cheia de amigos como o Mc Livinho e o Juninho JR. Durante a nossa conversa, os MC’s apareciam na sala com aquela cara de “vai demorar isso ai?”, afinal os caras estavam com hora marcada no estúdio de Perera. Melhor encurtar a conversa:

SAM_0821Bateram no carro do Perera

Funk na Caixa: O funk é muito rápido, tem música nova a cada semana. Você acha que isso é bom ou isso é ruim?

DJ Perera: Pra mim, eu acho que isso é bom. O pessoal do funk é muito criativo. Se você lança uma música amanhã, no outro dia já tem uma música diferente, tá ligado? E cada dia que passa é uma música diferente da outra, e parece que isso nunca vai parar e isso pra mim é bom pra caramba, quanto mais música na rua, mais o Perera lá em cima.

Hoje em dia você usa qual programa pra produzir?
Hoje em dia eu uso o ProTools. Antigamente eu usava o Acid, que era mais fácil. Na verdade eu produzo no Acid e masterizo no ProTools que é mais fácil.

Como é o formato da sua produção? Como você produz?

Por exemplo, quando o Livinho vem aqui – ele vem de quarta feira – ele chega as 10 da manhã, até as 6 da tarde a música tá pronta. A gente senta junto na frente do PC e vai. Ele da ideia, eu do ideia, se ele erra na voz eu falo “tá errado, pá”, pra tudo sair certinho, do jeito que eu quero.

E você teve alguma escola musical?

Na igreja! Tudo que eu aprendi, meu ensino de teoria é tudo da igreja.

Só que eu não usava os instrumentos no funk tá ligado, ai eu pensei: “Vou usar os instrumentos no funk”. Ai eu usei no “Dom Dom Dom” o cavaquinho. Ai eu vi que o publico aceitou e tipo, na melodia da voz do Pedrinho e Livinho. Ai começou a andar, ai a outra eu lancei com melodia também que foi a “Kamasutra”, que ai tem piano, tem flauta, tem um instrumento de sopro tipo índio, e ai a coisa começou a andar com os instrumentos. Ai eu pensei ‘não, isso aqui tem que ser” porque o funk antigamente era só base reta, na voz só base reta. Proibidão era só a base reta. Ai eu falei ‘não tem que mudar isso ai’, tem que vir com instrumento, o funk tem que se tornar uma música de verdade. A música só é música se ela tem acorde, nota, tá ligado? Ai eu falei: “Não, o funk tem que ser uma música mesmo”.

Tipo, os caras chegavam no baile e colocavam um DVD de base, dava play e o MC cantava em cima. Às vezes não tinha nem DJ, ai eu falei ‘não, isso tá errado’ o funk tem que ter o instrumento, tem que ter melodia. A partir do momento que você escuta a melodia da música, você pode até não cantar a música, mas você vai cantar a melodia da música, a melodia fica na cabeça. Isso que é o daora do funk hoje.

E você acha que todo mundo que canta tem essa noção? Por que é difícil acompanhar a melodia.

É porque na verdade, eu não crio a melodia. Se você é o MC, você canta a sua melodia e ai eu venho com o instrumento em cima do que você cantar, você pode cantar todo desafinado e tal, eu vou fazer toda a melodia em cima da sua base. Não sou eu que crio a melodia, o MC chega cantando a melodia e eu chego com o instrumento em cima.

E você acha que agora o funk está numa nova fase por causa da melodia e dos instrumentos na música?

Sim, sim. Hoje em dia você pode ver, tem MC até com banda.

Quem tem banda?

O Mc Gui, a Bela tem banda também, o Guimê tá com banda também.

E o funk não tinha isso antes, hoje pro funk tem bailarina, banda, é um adianto pra caramba. Mostra que o funk esta cada vez mais alto.

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E esse estúdio?

É meu, era a lavanderia da minha mãe. Eu invadi lá e pá! E quando eu invadi ela disse ‘o que esta acontecendo aqui?’. Cortei o varal, tirei a máquina, quando ela chegou ela ficou doida comigo. Mas ela aceitou de boa, ela viu que era pra música.

No começo ela não aceitava muito, mas eu dizia que ia ajudar, e isso porque eu sai do trampo.

Quando você saiu?

Eu sai em 2013. Ai eu falei, vou viver da música, se não for do funk vai ser de outro gênero.

E como foi essa saída?

É que na verdade eu trabalhava num bagulho de água mineral. Tipo, na fonte mesmo que eu trabalhava. Eu pegava 800 galões de água por dia. E eu pensava que aquele negócio não era pra mim. Eu sei os lances de música na cabeça. ‘Não mano, isso não é pra mim’ eu pensava, ‘vou pegar o funk’.

Ai foi nessa que eu entrei no funk, me mandaram um vídeo do Pedrinho. Ai eu postei no face. Quando eu postei no face, eu vi geral comentando, compartilhando e tal, quando o Facebook começou a subir é que eu pensei “é do funk que eu vou tirar meu sustento”. Hoje eu sustento minha casa sozinho, tirei minha irmã do trabalho, meu irmão, minha mãe não trabalha mais, nem quero que eles trabalhem mais. Eu quero mostrar pra eles que do funk hoje em dia da pra viver tranquilo

Muita gente associa você e o DJ R7 por essa nova fase do funk. Você acha que isso foi proposital? Você já chegou pra marcar espaço?

Na verdade eu já produzia e o R7 é mais montagem, música pra favela, pro fluxo tá ligado, ele faz bastante montagem. Pega a voz de um MC ali, de outro ali e vai fazendo montagem. Pra mim isso é bom, porque o funk só cresce. Quanto maior o funk estiver, melhor pra mim e melhor pra ele.

Você e o R7, vocês são amigos?

Sim, na verdade, ele começou a estourar quando eu mandei uma voz pra ele, a do Pedrinho. Eu produzi a do Pedrinho, a oficial, e falei ‘faz uma montagem ai’. Ai ele fez a “Dom Dom Dom” com a do Magrinho e Nandinho. Ai ele começou a estourar também. Mas ele é meu parceiro.

Ele estava no seu aniversário, né?

Sim, eu trouxe ele. Ele morava em Minas, ai eu falei ‘não, quero você aqui tio, quero você no meu aniversário’. Paguei passagem, hospedagem e tudo pra ele. ‘Vem conhecer São Paulo’, ai hoje ele me agradece, porque foi a primeira vez que ele veio pra São Paulo. E ele não esperava que o funk fosse trazer ele pra cá.

Como você vê essa relação do funk proibidão X putaria?

Ahhh, o proibidão antigamente era daora. Todo mundo ouvia proibidão. Só que antigamente tinha a putaria também, mas em São Paulo só tocava [músicas do] Rio.

Você consegue lembrar das datas?

No ano passado já não tocava mais Rio em São Paulo. Tipo, mó cota ficou tocando Rio, Luan, Gibi, K9. Na época da lan house tocava só Rio em São Paulo. Ai eu pensava ‘não mano, tem que ter o funk de São Paulo também’. Ai começou a soltar, Zona Leste, que era mais forte no funk. Ai foi o momento que a putaria caiu aqui na Zona Norte. E foi ai que o movimento estourou. A putaria hoje em dia, assim os sucessos mais fortes são todos da Zona Norte.

E você acha mesmo que é putaria?

Acho que é uma ousadia, uma música dançante. Porque putaria tem em todas as músicas se você for ver, numa música americana [tem putaria]. Se você entender o inglês mesmo, você vai ver que o cara esta falando putaria. É a mesma coisa, só que o povo é meio que cego, meio que não enxerga esse baguio aqui no Brasil. Ai fica nesse preconceito no Brasil contra o funk.

O que você acha que poderia ser feito para mudar essa visão?

No momento, pra mudar? Não tem …. como assim pra mudar?

Por que você mudou o funk do ostentação pra putaria. O que poderia ser feito pra mudar a visão ruim da putaria.

Sim sim, porque…. ó, a ostentação é tipo uma historinha. Tipo, os MCs iam na TV e falavam que o cordão era de ouro, que vestia num sei o que, que portava carro não sei o que, pegava mulher não sei da onde, era tipo uma mentira tá ligado. E na putaria não, putaria é verdade. O que os MCs cantam nas músicas, é o que os meninos vivem. Não só os MCs, mas como todo mundo que escuta, vive. E eu falava ‘não mano, tem que ser a putaria’. Porque tipo, é uma verdade e tá dando certo pra caramba pra gente.

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Você falou do fluxo, o que você acha dessas festas?

Ahh, eu acho que às vezes atrapalha mas às vezes é bom. Porque se você tem baile – agora eu tô tocando nos bailes – na mesma rua que tem um fluxo de rua, a casa não vai encher. Porque é óbvio, a pessoa vai querer comprar uma garrafinha, vai querer ficar lá , sem pagar nada, fumando um cigarro num lugar aberto. No baile não, no baile tem que pagar entrada, tem a pulseira, camarote, a bebida, ninguém vai querer gastar mil reais se você pode gastar R$100 na rua. E curtir até a hora que você quiser.

E você acha que é ruim por causa do lance do dinheiro e dos artistas?

Sim, cai pra caramba os bailes. Cai bastante.

Você gosta de ir no fluxo?

Eu ia (risos). Hoje eu não posso ir mais, ninguém me deixa curtir o baguio.

Por causa da fama?

É….chego na minha quebrada, não consigo andar no fluxo. Ai não posso ir mais, mas eu acho muito louco.

De dois anos pra cá, desde a música do Pedrinho, como ficou a sua vida?

Melhorei! Graças a Deus. Essa semana eu comprei dois guarda-roupas pra minha mãe, um armário que ela tanto queria, e até o meio do ano quero comprar a casa dela.

Isso é uma meta?

Sim é uma meta. E eu consigo alçar isso com o funk sem problemas.

E você cresceu no funk? Sempre foi pro baile?

Eu não ia muito pro baile, porque os bailes que existiam na quebrada tinham uma fila enorme. E a minha mãe embaçava. Só escutava funk em casa. Ficava ouvindo e pá. E ai fui subindo.

E essa história do “se é loko hein cachorrera?” Como Surgiu?

Ahh esse lance foi uma história com o Phe, a gente já se chamava de Cachorro pra cima e pra baixo. Ai um dia ele estava bêbado e mandou vários audios no grupo, um deles era esse ‘sé é loko hein cachorrera’ e a gente riu pra caramba disso. Depois, chamei ele pra gravar um ponto e ele falou várias frases, inclusive essa, ai achei que ia ficar legal usar de carimbo, ai o resto é história.

O que você acha da rasterinha?

Aquele movimento funk meio ragga?

Isso.

Eu acho que atrapalha um pouco o funk. Porque é uma música mais arrastada, mais…é 95 o BPM né? O funk mesmo é 130. Pra pessoa dançar na vontade mesmo tem que ser mais rápido, que nem eletrônico, quanto mais rápido, mais a pessoa dança. E o ragga é mais devagarzinho.

Então você não gostou?

Eu acho daora, mas eu mesmo não produzo. Só produzi a da Tati Zaqui. Só a dela, meio ragga. Agora tá vindo uma nova onda acho que de funketon. Vai misturar o reggaeton com o funk. Novo projeto aí

E você acha que vai vingar?

Vai, a produção vai ser comigo.

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Você fez algumas músicas com melodia da Disney. Como veio a ideia?

Na verdade começou com o MC Livinho. Ele viu um comercial do Gatorate com a melodia da Disney, chegou no estúdio e falou que queria fazer uma música com essa melodia. Ele dando a ideia, eu e ele trocando as ideias, e ai foi nessa que ele lançou [a música] e explodiu. Veio a Tati depois, na mesma onda dele. A Tati gostou da música dele e pá, ‘e não, vou fazer uma música nesse naipe’. Ai ela veio com os sete anões e deu certo também. Hoje em dia os baguio tá em 17 milhões de views. E isso pro funk é bom pra caramba, muitas pessoas falam que o funk não tem criatividade, que o pessoal não tem criatividade….mal eles sabem que tem mais coisa pra vir (risos).

Você não fica com medo desse lance dos direitos autorais?

Não, tenho tudo registrado. Conta na ABRAMUS.

Mas você usou a melodia de alguém, você não fica com receio disso?

Não porque só foram essas duas [melodias] que eu usei da Disney, o resto das produções são tudo obras minhas.

Mas são delas mesmo que eu tô falando.

Sim, sim, mas não tenho medo não.

E se alguém te copiar? Alguém pegar uma música sua e recriar?

Nada, é tranquilo. Não vai conseguir, tipo, fazer o mesmo estrondo que eu faço. Porque hoje, na minha rede social, se eu falar ‘ah, me copiou’ o meu público vai em cima. Se eu falar ‘música nova’ todo mundo fica esperando eu lançar. Tá ligado? O público da rede social hoje é bem fiel.

Qual foi a sua melhor produção?

A mais trabalhada foi a da “Branca de Neve” e a da “Kamasutra”. Porque eu misturei som de violão, piano e flauta. Três instrumentos pra não [entrar em conflito]….mano, foi embaçada a coisa. A mais trabalhada e a que eu mais gosto é essa, a Kamasutra.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=f8YLU97YT00&w=560&h=315]

O seu trabalho hoje se baseia nas músicas, na ostentação era muito baseado nos vídeos. Como você vê essa relação?

Hoje em dia, eu abri uma produtora tá ligado, a Gree Cassua e Perera Dj.

Vai ter vídeo e música. O cara vai gravar a voz lá, a produção vai ser feita lá, o vídeo vai ser gravado lá, a edição do vídeo, o registro da música, tudo. Vou mesclar o vídeo e a música no mesmo trabalho, como Perera.

Porque no funk é assim, antigamente era só música, ninguém via a cara do MC. ‘Quem é o MC que tá cantando a música?’ e agora vou vir com tudo forte, a música e o MC, a pessoa vai ver quem é o MC, porque as vezes você escuta uma música e não sabe quem é o cara. Ai a intenção é juntar ‘olha lá, é ele lá’ a pessoa te vê na rua e fala ‘ei, pá’. Essa é a intenção.

No Rio existem as equipes de som, tem algum equivalente aqui em São Paulo?

Não sei mano, hoje em dia não precisa de equipe de som. Não precisa desses baguios de paredão, se o cara quer ouvir sua música, ele vai ouvir no carro dele, no som da sala dele, no computador, notebook, celular, ipad, ipod, tudo quanto é canto. E hoje em dia a gente não precisa dos paredões, a gente tem os fluxos tá ligado?

Poderia se comparar então?

Orra, esses fluxos são bem mais fortes que esses paredões. E tem campeonato de som em São Paulo Som automotivo, e esses caras escutam minhas produções, porque eu uso bastante grave, eu gosto de grave. O diferencial da música é os graves, eu ponho os graves porque eu sei que eles vão tocar os baguio. Porque os cara vão competir. Se o cara na competição por uma música sem grave, não vai ganhar. E eu já vi uns caras que ganhou com a minha produção, o que é gratificante pra caralho.

Tem uma galera que acha que a putaria é errada por que incentiva criança a cantar desde cedo. O que você acha disso?

Ahh, as vezes é da pessoa…isso depende muito de onde ela mora. Depende da casa da família. Porque anos atrás, o rock, se você ver falava sobre cocaína, cerveja, num sei o que e nada disso influenciou o publico antigamente. E por que o funk vai influenciar? Acho que não influencia não.

E o seu aniversário, o que você achou?

Foi daora, foi legal pra caralho. Fiz um na Nitro e um no Camisa Verde-Branco.

Minha família junto no baguio, e isso é daora pra caralho porque antigamente ela [minha mãe] não botava meio que fé. Ela falava ‘não, essas músicas…não sei o que”. Ela me preferia me ver no rap do que no funk. Ela falava ‘não sei o que, esse funk ai’ e eu falava ‘não mãe, você vai ver, o baguio vai andar’.

E agora, ela mudou de opinião?

Mudou, né? (risos). Tô dando tudo que ela quer. Se ela não gostar fica embaçado (risos).

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1 Comentário on #22 Dj Perera

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