#6 Daniel Haaksman

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Data da entrevista: 16/06/2010

Para entender mais sobre o boom de electrofunk nos anos de 2005 a 2008, fizemos uma entrevista exclusiva com uma das peças chaves de toda essa historia, o Daniel Haaskman. Ele é DJ, produtor e criador do selo Man Recordings. Vamos a entrevista para conhecer o Daniel e entender o boom de electrofunk:

Funk na Caixa: Então Daniel, conte-nos como e quando aconteceu seu primeiro contato com o Baile Funk? E o que você pensou sobre o estilo?

Daniel Haaksman: A primeira vez que ouvi Baile Funk, foi em 2003 quando um amigo meu retornava do Brasil trazendo alguns CD’s que ele comprou nas ruas do Rio de Janeiro. Ele disse: “olha isso, isso é o que o povo do Rio escuta”. Quando eu ouvi a primeira música, eu fiquei encantado. As rimas fortes, a energia da música, os samplers furiosos com referências ao Electrofunk, samba Techno Hop, Miami Bass, Euro House e o Pop, me deixaram animado ao ouvir. Naquele tempo, eu estava numa crise como DJ. Não importava o que eu encontrava nas lojas de música, tudo era chato pra mim, então o Baile Funk foi uma nova inspiração para meus Dj Sets.

Funk na Caixa: Quando e porque você decidiu criar a Man Recordings?

Daniel Haaksman: Em 2004 eu publiquei a compliação ” Rio Baile Funk Favela Booty Beats” no meu antigo Selo Essay Recordings, no qual eu trabalhava junto do Shantel ( Selo de musica cigana). A compliação virou um grande sucesso internacional, eu percebi uma boa resposta do público e vendeu relativamente bem. O sucesso da compliação me mostrou que aquilo era ‘vendável’ e  que tinha publico para o baile funk, então decedi começar meu proprio selo, a Man Recordings em 2005. Neste ano nós celebramos os 5 anos de aniversário e o lançamento da 50ª compliação do selo.

Funk na Caixa: Antes disso, você ja tinha trabalho com música? Eu digo, antes de você encontrar o baile funk.

Daniel Haaksman: Eu discoteco desde 1990, paralelamente eu trabalhava como jornalista de música para várias revistas Alemãs. Em 1997 eu me mudei para Berlin, continuei trabalhando como dj e continuava escrevendo, mas trabalhei também com arte conteporânea por alguns anos, eu fui curador do primeiro “Berlin Biennale for Contemporary Art” em 1998 e depois como co-responsável da galeria até 2002. Então eu nao estava trabalhando 100% com musica o tempo todo. Mas depois de 2005 eu decidi trabalhar exclusivamente com musica e abri meu próprio selo.

Funk na Caixa: Nos anos de 2006 a 2008 aconteceu um boom de electrofunk no mundo. Muitos dj’s e produtores estavam produzindo e tocando ‘baile funk. A Man Recordings teve influência nisso or isso apenas aconteceu? Como você viu esse boom e você acha que o funk conseguiu conquistar seu espaço na cena mundial?

Daniel Haaksman: Sim, o baile funk era ‘hype’ entre 2006 e 2008. Eu permito dizer que esse “chute-inicial” aconteceu com minha compliação “Rio baile funk favela booty beats”, e meio ano depois, M.I.A. gravou sua musica “Bucky Done Gun” com as bases de Deize Tigrona – Injeção. No topo de tudo isso, Diplo fez seus “Favela on Blast” mixtapes,  então, tudo isso somado a uma onda de lançamentos que iria introduzir uma audiência global e não-brasileira de baile funk. Diplo, M.I.A. e eu eramos quase que os embaixadores estrangeiros do funk. Mas então, eu acho que essa á a missão clássica do DJ: Achar um som novo, apresenta-lo para os que não conhecem, introduzir isso ao seu publico e brincar com o estilo, remixar, etc, –  foi isso que fiz com o baile funk. O boom interncional foi alimentado pelos lançamentos da Man Recordings: Edu K, gravou o primeiro single da Man Recordings, remixado pelo Diplo. Edu k foi bascicamente o primeiro rockeiro branco brasileiro que colocou o baile funk, em 1999, com seu punk rock da banda De Falla, gravando o album ” Miami Rock 2000″ no qual “Popozuda Rock n’Roll” foi lançada, na qual até hoje é um dos maiores hits do funk, especialmente fora do Brasil. Muitos brasileiros nao sabem que “Popozuda Rock n’Roll” foi um hit tão grande que foi usada na campanha da Coca Cola na Alemanha e na campanha da Nike na Italia. Ainda na onda de 2005, 2006 teve o Bonde do Rôle de Curitiba, no qual representou o baile funk como uma “festa de musica de batidas fortes”. Então em 2005, 2006 o pessoal da Europa, do EUA e do Japão começaram a receber artistas reais do funk, isso significava turnes mundiais e performaces ao vivo. Acredito que isso direcionou o baile funk para um novo som com seus proprios artistas, selos, etc..
Daniel Haaksman: Esse grande boom cresceu com os lançamentos da Man Recordings e de artistas como Crookers, Sinden e tambem Dj Sandrinho, Sany Pitbull, etc,  tudo no meu selo, que abriu o som do baile funk para um grande publico. Com minha serie ” Funk Mundial” eu mandei acapellas de Mc’s de Funk, que eu gravei no rio, para produtores na Europa como Crookers, Sinden, Seiji, Jesse Rose,etc, assim eles poderiam criar suas bases usando elementos e rimas do baile funk. Esses lançamentos, colocaram o baile funk num contexto diferente, vou encontra um house ou um electro com batidas de funk ou com rimas de mc’s sobre essas bases. Nessa propagação do baile funk em tantas direções, que hoje você deve encontrar muitas pessoas na Europa ou no EUA que trabalham com Mc’s do Brasil e tambem de Angola. Devido a sua sonoridade agradavel para ouvidos estrangeiros, a lingua Portuguesa virou uma alternativa para clubes de musica que eram considerados novos. De uma olhada no French House do Dj Gregory, ele lançou alguns singles com MC’s de Angola – e o pessoal amou isso!!

Funk na Caixa: Você ja esteve num baile funk do Rio de Janeiro? Se sim, como foi  a experiência?

Daniel Haaksman: Eu ja estive em varios bailes do Rio e sempre foi uma experiencia incrivel. Especialmente sonora, tanto pelo djs que tocavam com um Sistema de Som enorme, e isto era absurdamente alto, tanto pelo jeito que os djs tocam loucamente em suas MPCs, era muito emocionante.

Funk na Caixa: Como os alemães recebem o baile funk nos clubes?

Daniel Haaksman: Eles absolutamente amam o baile funk. Não há um clube que sempre toque baile funk na Alemanha, isso ainda é considerado um som novo e exotico, mas as pessoas dançam de uma forma bem parecida a dos brasileiros. Eles não entendem as rimas, mas eles sentem o poder da batida e a energia da musica.

Funk na Caixa: Você ja tocou no Brasil? Se sim, como o pessoal recebe o baile funk?

Daniel Haaksman: Eu toquei algumas vezes no Rio, toquei tambem em Florianopolis e em São Paulo. Eu sempre vi as pessoas no clube gostarem do baile funk e elas sempre cantavam junto da letra. O que confundia as pessoas era quando eu tocava uma adptação europeia que eu fazia do baile funk e meus lançamentos da Man recordings, para eles, colocar as rimas do baile funk com a base de electro ou house nao combinava.

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Funk na Caixa: Tem um video da Man recordings, mostrando você e o Dj Beware tocando o vinil Rio Baile funk Breaks. Esse vinil é apenas para batalhas de dj’s ou você costuma tocar com esse vinil

Daniel Haaksman: Dj Beware foi quem teve a ideia do vinil, ele é um verdadeiro Turntabilist DJ, então ele sugeriu que criassemos um vinil de batalhas, exclusivamente de sons e elementos do baile funk. Até agora, não vi nenhuma batalha em público com esse vinil.

Funk na Caixa: Na sua opnião, quem é o produtor brasileiro que mais te chama atenção?

Daniel Haaksman: Tem alguns: Eu amo as produções do Edu K, elas sempre me surpreendem; João Brasil do Rio e ótimo; Dj Chernobyl de São Paulo esta fazendo otimos trabalhos; há tambem o Mixhell, é claro. Eu tambem gosto do Dj Cremoso do Belém/PR que esta fazendo um trabalho incrivel de remixes de Tecno Brega, e ainda no Rio eu gosto do trabalho do Dj Sandrinho, Dj Edgar, Sany Pitbull, Amazing Clay, Dj Marrentinho e do Dj Fu e Dinho

Funk na Caixa: E mundial, qual o produtor que entende a essência do bale funk?

Daniel Haaksman: Eu acho que não há muitos produtores de funk fora do Brasil que entendam a essencia do funk. Eu digo, eu posso dizer que minhas proprias produções e lançamentos, os EP’s “who’s Afraid of Rio” e “Gostoso EP” é minha interpretação artistica do Baile funk e nessas musicas eu coloquei todo meu conhecimento que tenho sobre bailefunk e club music da europa. Tirando isso, tem alguns poucos nomes que fazem um bom trabalho com musicas que usam os elementos de baile funk, mas eu nao me atrevo a dizer o nome de um unico produtor que tenha exclusivamente sua insipiração do baile funk. Diplo fez ótimas musicas inspiradas no baile funk, tambem há um produtor frances chamado French Fries que faz musicas que são apimentadas com os elementos do baile funk, outro produtor Francês inspirado pelo baile funk foi Lazy Ants ou Voltair. Pelo lado dos vocais, eu acho que o estrangeiro que melhor entende o baile funk é o alemão Mc Gringo, que vive no Rio e é um grande amante do baile funk – ele gravou um album na Man Records no qual é o primeiro album de baile funk feito por um artista estrangeiro. Mas em tudo que eu penso, ainda não há produtores e artistas estrangeiros que façam baile funk.
Funk na Caixa: Agora para temrinar, o que podemos esperar da Man Recordings em 2010?

Daniel Haaksman: Nos estamos celebrando o aniversario de 5 anos da Man Records nesse verão euroupeu, com o lançamento da compliação “valeu” aonde os principais artitas da Man Rec, assim como Edu K, Crookers, Schlachtofobronx, Ber on Beats, Ku-bo , Beware+motorpitch, Joyce Muniz, João Brasil e as que eu tenha feito exclusivamente para a compliação. Em 2010, tambem terá a estréia do album do Ku-bo de Vienna, que esta produzindo batidas Afro-Brasileiras, há tambem a estréia do album do Bert on Beats, deTallin, Estonia, que esta fazendo um mix de Kuduro e DubStep. Há tambem muitos outros lançamentos, eu tenho um EP programado para Julho, Edu K vai lançar um single novo em Agosto, etc etc etc.
Vem que tem (Daniel Haaksman remix) – Schlachtofobronx:
Daniel Haaksman – Pobum Coco

Daniel Haaksman – Minimix for Jackmode Agency:

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